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Primeiro peixe de sangue quente é descoberto

Pesquisadores descobriram o primeiro peixe que pode manter todo o seu corpo quente, bem como mamíferos e aves. O opah, ou moonfish (conhecido também como peixe-lua por causa de seu formato), vive em águas profundas, frias, mas ele gera calor de seus músculos peitorais robustos. Ele conserva esse calor graças a gordura corporal e a estrutura especial de vasos sanguíneos em suas guelras.

"É uma adaptação notável para um peixe", diz Diego Bernal, um fisiologista de peixes da Universidade de Massachusetts, Dartmouth, que não esteve envolvido no estudo.


A água toma o calor da maioria das criaturas. Então, os peixes permanecem com uma temperatura tipicamente igual à temperatura da água em que nadam. Isso, por sua vez, limita as suas funções biológicas em água mais frias, especialmente em termos de resistência cardiovascular. Há exceções parciais, como o atum, o peixe agulha, e alguns tubarões que podem aumentar temporariamente a temperatura de seus músculos do corpo, enquanto se movimentam e caçam em águas com temperaturas inferiores, mas eles devem voltar para as águas mais quentes para que a sua temperatura central volte ao normal.

O opah (Lampris guttatus) não se parece com um predador feroz. Este peixe, que possui cerca de um metro de comprimento, nada batendo suas barbatanas peitorais. Ele vive nos oceanos de todo o mundo, mas pouco se sabe sobre a sua biologia. Ele caça lulas e peixes, tipicamente de 50 m a 200 m abaixo da superfície, em que a água possui temperatura entorno de 10 ° C e é mais fria que a superfície. Em 2012, Owyn Snodgrass, um biólogo de pesca com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica, em San Diego, Califórnia, coletou um opah ao largo da costa da Califórnia, como parte de uma pesquisa regular. Ele ofereceu as brânquias ao seu colega Nicholas Wegner, um fisiologista peixes.

NOAA FISHERIES WEST COAST

As brânquias foram armazenadas em um balde plástico de 20 litros por alguns meses antes de Wegner começar a estudá-la. "Percebi imediatamente que havia algo único", lembra ele. Os peixes têm apenas alguns grandes vasos sanguíneos que levam sangue das e para as brânquias, onde os vasos minúsculos captam o oxigênio dissolvido na água. Mas o opah tem uma elaborada rede de vasos sanguíneos minúsculos, em que as artérias ficam ao lado de veias em matrizes hermeticamente embaladas.

Este arranjo das artérias e veias emparelhados é conhecido como uma "rete mirabile", ou "excelente líquido", e muitas vezes funciona como um permutador de calor em contracorrente em outras espécies. Vasos que transportam sangue quente transferem o seu calor para o sangue frio em vasos que vem de volta das extremidades. Este truque anatômico ajuda aves aquáticas minimizar a perda de calor quando seus pés estão na água fria; algumas baleias têm permutadores de calor semelhantes em suas línguas. O atum, o peixe agulha, e certos tubarões usam esta "rete mirabile" para manter seus músculos quentes.

O opah é o primeiro peixe descoberto com uma rete mirabile em torno de suas brânquias. Esse permutador de calor das brânquias é envolto em uma camada de gordura com 1 centímetro de espessura, o que é incomum em peixes. Presumivelmente, ela tem uma função de isolamento térmico.

Wegner, Snodgrass, e seus colegas decidiram medir a temperatura de opah no mar. Eles descobriram que a temperatura média do corpo estava a cerca de 5°C mais quente do que a água a partir do qual eles foram pegos, como eles relataram no artigo publicado na revista Science.

Os pesquisadores também mediram a temperatura muscular em peixes vivos enquanto nadavam. Para fazer isso, eles pegaram opah usando um anzol e linha, implantaram um monitor de temperatura para os músculos peitorais, e os deixou nadando por algumas horas. Mesmo a água estando a 4°C, os músculos permaneceram com temperatura entre 13°C e 14°C.


Uma maior temperatura corporal deve proporcionar diversas vantagens, incluindo natação mais poderosa e melhor resistência. Como outros pesquisadores relataram, em 2009, o cérebro e os olhos do opah são ainda mais quente do que o resto do corpo, graças a um pequeno permutador de calor em contracorrente na base de seu crânio. O sangue flui para os olhos é aquecido por músculos do olho especializados que geram calor sem contratação, uma característica encontrada apenas em peixes.

Isso tudo fez Wegner suspeitar que o opah é um predador ativo, ao contrário dos outros predadores residentes que tendem a emboscar presas. Com a visão aguda, tempos de resposta rápidos, e resistência, o opah pode perseguir lulas e peixes rápidos como as barracudas.

Wegner e seus colegas têm coletado dados de comportamento desses peixes nadando livremente, usando sensores que se desprendem dos opah 2 dias depois e flutuam na superfície. Mas ainda há muito a ser aprendido sobre esta criatura de sangue quente misteriosa que tem dominado as profundezas frias. "Ele nos mostra como os peixes podem se adaptar de maneira surpreendente", diz Wegner.

Fonte: Science

Como as cracas se reproduzem?

Crédito: Lia Caldas / Shutterstock.com

Cracas são invertebrados próximos dos caranguejos e lagostas. Mas ao contrário de seus primos rastejantes, cracas adultas permanentemente estão unidas às superfícies, levantando uma questão interessante: Como é que estas criaturas sésseis encontram companheiros para se reproduzir?

Inúmeros invertebrados imóveis, incluindo moluscos e anêmonas do mar, reproduzem via desova transmitida, em que os animais liberam esperma e ovos na água para fecundação externa. Mas, como Charles Darwin observou em monografias publicadas na década de 1850, a maioria das cracas realmente reproduzem via cópula, ou mais precisamente, pseudo-cópula.

Como muitos outros animais, as cracas só se reproduzem durante a época de acasalamento. O momento exato da estação de acasalamento difere entre as espécies, mas geralmente vai da primavera ao outono, disse o zoólogo e especialista em cracas, Richard Palmer, da Universidade de Alberta, no Canadá.

A maioria das cracas são hermafroditas, o que significa que eles têm tanto órgãos reprodutores masculinos e femininos, e, normalmente, podem funcionar como um macho ou fêmea durante o acasalamento.

Não está claro quais os fatores fazem uma craca escolher o papel temporário que faz, mas "há algumas teorias que sugerem que tem a ver com o número de parceiros imediatamente acessíveis", disse Palmer para o site LiveScience, acrescentando que situações envolvendo uma alta densidade de cracas próximas faz com que a maioria dos indivíduos assumam o papel "masculino".

A ANATOMIA DO SEXO DA CRACA
O acasalamento é possível devido ao longo pênis desses crustáceos. Cracas tem um dos pênis mais longos em relação ao tamanho do corpo no reino animal - em casos extremos, o pênis pode ser até 8 vezes o tamanho do corpo da craca, Darwin observou em suas monografias. [A 7 Weirdest animal Penises].

Curiosamente, o comprimento e a espessura do pênis de uma craca intertidal depende de seu ambiente, de acordo com um estudo de 2008 de co-autoria de Palmer .

Em águas calmas, os pênis das cracas são longos e delgados, permitindo-lhes alcançar o máximo de parceiros possíveis. Mas expostos às ondas, as marés locais favorecem pênis mais curtos e robustos, que são mais facilmente controlados em condições turbulentas.

Além do mais, o tamanho e a forma do pênis de uma craca não está definido por toda a vida. "Se você transplantá-las [de uma área turbulenta para uma área calma], seus pênis serão mais longos e mais finos", disse Palmer.

Para acasalar, a craca com o sexo masculino funcionando irá inserir seu pênis e liberar esperma na cavidade do manto (espaço entre o reservatório e corpo) de uma craca feminina - Devido ao fato dos os espermatozóides não serem liberado no corpo real, isto é considerado uma "pseudo-copulação".

O esperma induz a liberação de ovos, que são fertilizados e desenvolvem em embriões e, em seguida, as larvas dentro da cavidade do manto.

VÁRIOS MODOS DE REPRODUÇÃO
Os cientistas não sabem exatamente como cracas sabem o papel do sexo que seus vizinhos estão assumindo, embora os pênis da craca possuam quimiocerdas que podem ajudar a identificar as as fêmeas funcionais.

"Mas se você vê-las copulando, elas basicamente apenas estendem seus pênis e tipo, saem batendo à porta de todo mundo", disse Palmer. "Não parece que eles estão à procura de qualquer parceiro particular."

Uma vez que um parceiro receptivo é encontrado, no entanto, o acasalamento pode ocorrer várias vezes ao longo de um determinado período, e envolvem múltiplos parceiros.

Por exemplo, em um estudo sobre a craca Tetraclita japonica, em 2006, os pesquisadores viram uma única "fêmea" aceitarem 582 inserções de pênis de 11 "machos" ao longo de um período de cerca de 8,5 horas (cada inserção durou, em média, cerca de 2,4 segundos).

A pesquisa também sugere que algumas espécies não precisam estar submersas em água para acasalar. Em um estudo prestes a ser publicado na revista Marine Biology, Palmer e seus colegas descobriram que a craca gooseneck do Nordeste do Pacífico (Pollicipes polymerus) poderia alargar o seu pênis no ar e acasalar entre períodos de ondas quebrando suavemente.

Pseudo-cópula pode ser o modo de reprodução mais comum para cracas, mas não é a única maneira de se reproduzir.

Há alguns anos, Palmer e seus colegas descobriram que as cracas Pollicipes polymerus, que estavam muito longe de outros adultos para copular, de alguma forma possuíam ovos fertilizados. Embora algumas espécies de cracas sejam conhecidos por se auto-fertilizarem, testes mostraram que os ovos fertilizados continha material genético a partir de outros indivíduos, de acordo com o estudo dos investigadores, em 2013.

A descoberta sugere que cracas Pollicipes polymerus, no mínimo às vezes acasalam via combinação espertmática, em que os machos funcionais liberam na água seu esperma, que é, então, de alguma forma, capturado por fêmeas funcionais.

Fonte: LiveScience

Fungo bioluminescente brasileiro atrai insetos

MICHELE P. VERDERANE/IP-USP-2008

Esses cogumelos luminosos podem se parecer com algum poster de luz negra de 1960 mas na verdade o fungo Neonothopanus gardneri cresce na base de palmeiras nas florestas brasileiras. De acordo com um estudo publicado na revista Current Biology, os cogumelos quando colocados sob a luz parecem atrair insetos que vão espalhar seus esporos.

Para verificar se a luminosidade do fungo realmente atrai insetos, os pesquisadores colocaram cogumelos de plástico com luz led verde na base das árvores, mimetizando a bioluminescência dos cogumelos reais. Durante cinco noites eles contaram o número de insetos visitantes em cada cogumelo de plástico e em cada cogumelo real. Eles coletaram 12 insetos dos cogumelos de plástico e 42 dos cogumelos reais, levando-os para análise em laboratório.

Em laboratório, os pesquisadores descobriram que os cogumelos seguem o ritmo do dia, emitindo luz somente quando está escuro, presumidamente, uma medida de conservação de energia e outra indicação de que o brilho tem a tal finalidade de atrair insetos.

Droga de nanopartículas inibe o câncer em camundongos

Quando uma pessoa morre de câncer, o culpado não é geralmente o tumor original, mas sim as células cancerosas que se espalham por todo o corpo e replicam em órgãos distantes, um processo chamado metástase. Os pesquisadores sabem há muito tempo que as células cancerosas são capazes de evitar a detecção imune, alterando os açúcares em suas superfícies. Eles até mesmo produziram uma droga para prevenir tais alterações no açúcar das células cancerígenas, mas ela interfere nos açucares das células normais, com resultados letais em animais. Agora, pesquisadores holandeses relatam que empacotaram o fármaco em nanopartículas destinadas exclusivamente às células cancerosas, e eles mostraram que esta combinação impede que as células cancerosas realize a metástase em camundongos.

Biophoto Associates/Science Source

A nova terapia com nanotecnologia ainda tem um longo caminho a percorrer antes de se tornar um medicamento, inclusive passando por estudos de segurança e eficácia em humanos. No entanto, "é promissor", diz Cory Rillahan, bióloga química no Memorial Sloan Kettering Cancer Center, em Nova York, que não estava envolvida com o estudo. Rillahan, que há 3 anos fazia parte da equipe para o primeiro relatório da droga anti-metástase, conhecida como P-3Fax-Neu5Ac, diz que o composto foi desenvolvido para bloquear uma família de 20 enzimas que alteram açúcares conhecidos como ácidos siálico. Resíduos de ácido siálico muitas vezes coroam longas cadeias de moléculas de açúcar de outros compostos que estão ligados a proteínas e lipídios nas superfícies das células. Essas cadeias estão envolvidas na adesão celular e reconhecimento, os principais processos realizados por células cancerígenas metastáticas.

Vários tipos de células cancerosas expressam enzimas que adicionam resíduos de ácido siálico para cadeias de açúcar. Mas fechar estas enzimas pode ser perigoso. No ano passado, uma equipe liderada por James Paulson, um químico do Instituto de Pesquisa Scripps, em San Diego, Califórnia, que lidera o laboratório onde Rillahan fez seu trabalho sobre P-3Fax-Neu5Ac, descobriram que a droga causou danos nos rins e foi fatal em camundongos quando injetadas na corrente sanguínea. Assim, para o P-3Fax-Neu5Ac ter uma chance como uma droga anti-metástase, deve atingir as células cancerosas.

Esse é o passo que os pesquisadores liderados por Gosse Adema, um imunologista de tumores no Centro Médico da Universidade de Radboud, em Nijmegen, na Holanda, já fizeram. Em um artigo publicado on-line este mês na ACS Nano, Adema e seus colegas relatam embalagens de P-3Fax-Neu5Ac em nanopartículas, vesículas biodegradáveis feitas a partir de poli (ácido láctico-co-glicólico) ou PLGA. Essas vesículas foram revestidas com anticorpos que estão em repouso sobre uma proteína na superfície de células de melanoma (câncer no pulmão). Células de melanoma comumente realizam metástases nos pulmões. Assim, em seu estudo, Adema e seus colegas verificaram se células de melanoma se espalharam no pulmão de camundongos.

AP Photo

É difícil para os pesquisadores do laboratório estudar rapidamente metástases de tumores sólidos, porque eles podem ter de esperar meses para as células cancerígenas se moverem. Então, para acelerar as coisas, a equipe de Adema dependia de um procedimento padrão de injetar células cancerosas e a droga antimetastática nas veias da cauda de camundongos e então esperavam duas semanas para ver se as células começaram a formar novos nódulos tumorais. Após 14 dias, a equipe holandesa descobriu que ratos que tinham recebido as nanovesículas carregadas de drogas desenvolveran 75% menos nódulos tumorais em seus pulmões do que ratos que receberam nanovesículas vazias.

Se esta terapia terá sucesso em seres humanos ainda é incerto, porque a maioria das drogas que trabalham em camundongos não fazem efeitos em pessoas. A síntese de cadeias de açúcares nas células, conhecida como glicosilação, é diferente entre humanos e camundongos, portanto, existem algumas modificações a serem feitas. Ainda assim, diz Paulson, a nova descoberta "abre a porta" para a perspectiva de drogas que inibem a glicosilação como uma alternativa ou complementando a estratégia para combater o câncer metastático. Essa descoberta não vai curar o câncer mas poderá ajudar os pesquisadores a aprenderem prevenir a propagação do câncer, a arma mais letal da doença.

Fonte: Science

Minúsculo camarão possui olhos compostos por 12 retinas


No fundo do mar, onde a luz é fraca e azul, animais com olhos maiores enxergam melhor - mas maiores olhos os tornam mais visíveis aos predadores. Em resposta, um pequeno crustáceo transparente (10 mm a 17 milímetros) de nome científico Paraphronima gracilis, evoluiu uma peculiar estrutura de olho.

Os pesquisadores coletaram os animais de 200 à 500 metros de profundidade em Monterey Bay, na Califórnia, usando um veículo operado remotamente. Posteriormente, após caracterizado o par de olhos compostos, os pesquisadores observaram que cada um era composto de uma fila única de 12 retinas vermelhas distintas.

Conforme publicado na revista Current Biology, os pesquisadores acreditam que cada retina capta uma imagem que é transmitida ao cérebro do crustáceo, que integra as 12 imagens, aumentando a sensibilidade ao brilho e contraste, adaptando-se aos diferentes níveis de luminosidade. O trabalho futuro vai se concentrar em como as imagens são processadas pelas conexões neurais entre as retinas e o cérebro.

Fonte: Science

Espécie de fungo letal para salamandras é descoberta


A descoberta


Em 2010 pesquisadores holandeses detectaram que um fungo estava dizimando populações de salamandras (Salamandra salamandra) no país. Recentemente, sabe-se que a doença originou-se na Ásia e representa um grave risco para salamandras de qualquer região. 


Testes para detecção do agente causador desse fenômeno foram realizados, com suspeitas de que poderia tratar-se de um ranavírus ou um fungo chamado Batrachochytrium dendrobatidis, conhecido por exterminar populações de anfíbios em várias partes do mundo e chegando até mesmo a conduzir algumas espécies à extinção. 

No entanto, análises lideradas por An Martel, veterinário da Universidade de Ghent, Bélgica demonstraram a presença de estruturas fúngicas em pele de espécimes de salamandras, revelando ser uma nova espécie de fungo, nomeada Batrachochytrium salamandrivorans. Posteriormente a essa descoberta, os pesquisadores publicaram na revista Science um estudo que mostra que espécies de salamandras de outras regiões da Europa também são vulneráveis a B. salamandrivorans, evidenciando seu potencial de alcance devastador. 

Inimigo mortal das salamandras

No estudo, um experimento submetendo salamandras, sapos e tritões à presença de esporos de B. salamandrivorans comprovou a especificidade da ação desse fungo restrita a salamandras, tendo sido infectadas um total de 44 salamandras, das quais 41 morreram. A equipe de Martel também testou a ocorrência de B. salamandrivorans em mais de 5.000 espécies de anfíbios pertencentes a diferentes partes do mundo e constataram sua presença em animais provenientes da Tailândia, Vietnã e Japão. No entanto, apesar da ocorrência do fungo, esses anfíbios não apresentaram a sintomatologia da doença, sugerindo que essas espécies podem ter desenvolvido algum mecanismo de resistência a doença. 

Especula-se que os surtos iniciados na Europa tenham origem a partir da importação de salamandras da Ásia. Nos EUA, onde há um alto índice de comércio de salamandras como animais de estimação oriundas do tráfico de animais, não foi detectada a ocorrência do fungo. Contudo, de acordo com o biólogo Jodi Rowley, do Instituto de Pesquisa do Museu Australiano, Sydney, isso não significa que o fungo não represente uma ameaça para essas espécies, alertando para a necessidade de fortalecimento da fiscalização sobre a importação desses animais.

Importando companhias indesejáveis

Atualmente, o risco de importação de patógenos e parasitas nos EUA, infelizmente, é alto. Segundo Karen Lips, coautora do trabalho e bióloga da Universidade de Maryland, não há nos EUA leis que permitam a exigência de vigilância e de testes para os animais selvagens que podem estar trazendo esses organismos indesejáveis. Os projetos de leis propostos para essa finalidade encontram-se ainda em status de aguardo no congresso estadunidense. 

Referências

MARTEL, A. et al. 2013. Batrachochytrium salamandrivorans sp. nov. causes lethal chytridiomycosis in amphibians. Science, v. 110(38): 15325–15329.

MARTEL, A. et al. 2014. Recent introduction of a chytrid fungus endangers Western Palearctic salamanders. Science, v. 346 (6209): 630-631.

O peixe da luz vermelha

O contexto
Cerca de 20 metros abaixo do oceano existem pequenas luzes vermelhas. Em 2008, Nico Michiels da Universidade de Tubinger na Alemanha e seus colegas demonstraram que, inexplicavelmente, muitas espécies de peixes emitem uma fluorescência com padrão avermelhado de seus corpos, e algumas são capazes de enxergar esses comprimentos de ondas. A equipe de Michiel avança nas buscas para determinar se isto tem alguma significância funcional nas espécies.

O experimento
Em um aquário com uma luz monocromática azul, machos de peixe da espécie Cirrhilabus solorensis responderam aos seus reflexos em um espelho, eriçando suas nadadeiras defensivamente ou tentavam atacar a própria imagem. Quando os pesquisadores colocaram um filtro no espelho que absorvia os comprimentos de onda vermelhos, os peixes tornaram-se menos agressivos, demonstrando que eles podem perceber e reagir à fluorescência.

Acima é possível ver um macho de C. solorensis sem o filtro de fluorescência. Abaixo temos a presença do filtro e o comportamento agressivo do mesmo.

O ajustamento
Nos ambientes marinhos profundos onde esses peixes vivem, existem pequenas quantidades de luz vermelha enquanto que a luz azul utilizada no experimento não existe nesses locais. O ajustamento no laboratório talvez tenha exageradamente influenciando no comportamento do peixe em relação à fluorescência vermelha, disse Gil Rosenthal da Universidade do Texas A&M, que não estava envolvido no trabalho. Sem estudar essa espécie de peixes nos ambientes de recifes - uma façanha desafiadora - é bem difícil de avaliar esse comportamento.

A simplificação
Peixes de recife pode ter uma ampla gama de respostas visuais e comportamentais previamente estudadas. Este estudo "indica que a fluorescência vermelha é uma importante parte da comunicação intraespecífica", diz Michiel. Rosenthal observa que esses resultados também aumentam as questões, em primeiro lugar, sobre como a fluorescência vermelha em peixes de corais evoluiu.

O artigo científico
T. Gerlach et al., “Fairy wrasses perceive and respond to their deep red fluorescent coloration,”Proc R Soc B, doi:10.1098/rspb.2014.0787, 2014.

Fonte: Seeing red / Por Rina Shaikh-Lesko - The Scientist

Homem com medula espinhal danificada volta a andar após transplante de células

Um homem paralisado por dois anos agora está andando novamente, embora precisando de ajuda, depois de um transplante para sua coluna. O tratamento, que será publicado na revista Cell Transplantation deste mês, está em discussão há algum tempo, mas só agora mostrou seu sucesso. 

Em 2010, Darek Fidyka foi repetidamente esfaqueado, deixando-o paralisado do peito para baixo. Felizmente, no entanto, seu nariz estava ileso. No nariz, existem as Células Glias Envoltórias Olfativas, do inglês "Olfactory ensheathing glia (OEGs)" que cercam os axônios olfativos, as fibras nervosas que conduzem cargas elétricas a partir do nariz para o cérebro e nos permitem sentir o cheiro. O que as torna interessantes para os pacientes com danos na coluna vertebral é que as OEGs mantém a capacidade de produzir novos neurônios na vida adulta.

Enquanto em alguns répteis novas caudas podem se desenvolver, para mamíferos, a capacidade de recrescimento é perdida em grande parte do sistema nervoso. O neurônio receptor olfativo passa por processos estressantes, pois, eles são forçados a responder às substâncias químicas extraídas com cada respiração. Esses neurônios, geralmente, sobrevivem apenas seis a oito semanas, e exigem a substituição constante, se não estamos perdendo o nosso sentido de cheiro. Nesse caso, as OEGs atuam formando caminhos para novos neurônios receptores, fazendo com que transmitam suas mensagens.


Essa capacidade de produção de novos neurônios inspirou pesquisadores da coluna vertebral frustrados pelo fato de que o sistema nervoso central dos mamíferos não regenera axônios. A ideia dos pesquisadores é que se as OEGs são transplantadas para a medula espinhal no ponto da lesão, os axônios danificados começarão a se restaura.

Experimentos em animais produziram regeneração do axônio e até permitiu ratos e cães feridos a correrem novamente. 

Após o ataque, Fidyka foi colocado em um programa de exercícios e fisioterapia intensiva, sem sucesso. Depois de dois anos, ele foi escolhido como "cobaia" para o transplante das OEGs, uma operação conjunta entre a Universidade College London e do Hospital da Universidade de Wroclaw, na Polônia. As células de um de seus bulbos olfatórios foram cultivadas por duas semanas antes de serem transplantadas através de 100 micro-injeções em torno do local da cicatriz.


O programa Panorama, de assuntos atuais da BBC TV, convidou Fidyka para filmar a sua resposta ao tratamento, e mostrar que o investimento não foi em vão. Nos primeiros momentos, apesar de cinco horas de exercício, cinco vezes por semana, Fidyka não mostrou nenhuma resposta, mas, à partir de três meses ele começou a sentir os músculos de sua coxa esquerda. Depois de seis meses, ele foi capaz de dar pequenos passos com a ajuda de muletas e barras paralelas. 

À medida que o programa se prepara para ir ao ar, Fidyka é capaz de andar por conta própria com a ajuda de um andador. Alguns sentidos da bexiga, do intestino e da função sexual também estão de volta. O progresso continua, e Fidyka disse à BBC [veja a entrevista dele]: "Eu acho que é real e que um dia eu vou me tornar independente."

O professor da University College Geoff Raisman, que descobriu as OEGs, descreveu os pequenos passos de Fidyka como "mais impressionante do que o homem andando na Lua".

Novidade: peixe é capaz de mudar de cor rapidamente

Os camaleões e polvos são conhecidos por suas rápidas mudanças de cor, mas peixes? Acontece que pelo menos uma espécie de peixe do gênero Gobio é também uma artista de mudança rápida de cor.

Houveram relatos de góbios e outros peixes de poças de maré que são capazes de mudar as cores, mas os cientistas tinham ignorado esse comportamento até recentemente. Um estudo publicado dia 15 de outubro (2014) na revista PLoS ONE é o primeiro a medir essa habilidade em um peixe, o góbio rockpool (Gobius paganellus). A nova pesquisa mostra que o uso de mudança de cor para se camuflar pode ser mais comum no reino animal do que se pensava.

Góbio rockpool em meio às algas. Foto: Jack Sewell


Habitat de poças de maré do góbio é um ambiente desafiador para um pequeno peixe. Há uma ampla gama de poças de diferentes origens, e as marés e as ondas podem empurrar os animais sobre eles rapidamente. Para os peixes que desejam ficar escondidos dos predadores que utilizam a zona intertidal como buffet pessoal, tais como aves e peixes maiores, isto pode ser um problema.

Pesquisadores da Universidade de Exeter, no Reino Unido, liderada por Martin Stevens, pensaram que os góbios podem se beneficiar por serem capaz de rapidamente mudar de cor e se camuflar em tal ambiente. Eles descobriram que o góbio rockpool pode mudar sua cor e brilho e se misturar com diferentes substratos. E o que é mais interessante é que eles podem realizar a mudança em menos de um minuto.

Stevens e seus colegas coletaram góbios rockpool de poças de maré em Cornwall, Reino Unido, e colocaram-os em bandejas cheias de água do mar com fundos de brilhos diferentes (preto ou branco) e cor (vermelho ou azul) e registraram o que aconteceu.

Os pesquisadores descobriram que os góbios tentaram combinar a sua cor com a cor do fundo, tornando-se mais brilhante em fundo branco, mais escuros em fundos pretos, mais vermelhos contra fundos vermelhos e um cinza mais escuro no fundo azul.

"A velocidade da mudança veio como uma surpresa", diz Tom Sherratt, um biólogo da Universidade de Carleton, em Ontário, Canadá, que não estava envolvido na pesquisa. "Mas eu acho que qualquer peixe que levou muito tempo para se misturar com o fundo iria rapidamente tornar-se o almoço", ele acrescenta. "As descobertas são uma maravilha porque mais espécies não podem mudar de cor na forma como góbios fazem!"

Um peixe de uma cor diferente
"Inicialmente, eu pensei que os góbios iriam mostrar as mudanças mais dramáticas para o brilho, porque eles não são animais especialmente coloridos até você vê-los de perto", diz Stevens. "Mas o nosso estudo sugere que a cor pode realmente ser mais importante porque encontramos o nível de mudança de cor foi mais forte do que a de brilho."

Os góbios possuem habilidades de camuflagem que sugere que alguns tipos de cores são mais fáceis de assumir que outros. Por exemplo, o peixe ficou vermelho contra um fundo vermelho, mas não pôde corresponder a um fundo azul. Azul é raro em seu ambiente familiar, diz Stevens, mas há muitos objetos vermelhos, tais como algas vermelhas, pedras marrom-avermelhadas, corais. Por isso, é provavelmente mais importante para estes góbios ser capaz de ficar vermelho do que azul.

Enquanto góbios não mudam de cor tão rapidamente como camaleões ou polvos, Stevens diz que as habilidades de mudança de cor do peixe são bastante diferenciadas. "Eles são capazes de alterar o brilho independentemente da cor e vice-versa", diz ele.

Devi Stuart-Fox, uma zoóloga da Universidade de Melbourne, na Austrália, que não estava envolvida no estudo, ficou impressionada com o uso dos métodos de estado-da-arte utilizado por Stevens nas análises das imagens para medir a mudança de cor dos góbios. "Eles não pararam por aí", diz ela. "Os autores foram depois para estimar se as aves predadoras seriam capazes de detectar as mudanças de cores dos góbios. Eles descobriram que os pássaros não poderiam e isso é o que conta para um góbio", Stuart-Fox explica.

Stevens pretende aprofundar seus estudos sobre esses artistas de camuflagem. Ele gostaria de saber se góbios podem sintonizar sua camuflagem para os sistemas visuais de diferentes grupos de predadores, como peixes e aves, da mesma forma que os camaleões fazem. Por exemplo, góbios podem mudar sua camuflagem na maré baixa para se esconder de pássaros e escolher uma camuflagem diferente para a maré alta para escapar dos peixes predadores? Só mais investigações responderão essa pergunta.
Fonte: Fish Changes Color in a Flash, Scientists Discover, por Mary Bates.

Conheça o gigantesco dinossauro descoberto na Argentina

Conhecido como Dreadnoughtus schrani, o dinossauro gigantesco descoberto na Argentina tem chocado muitos cientistas em todo o mundo. De pescoço longo e corpo robusto, este incrível animal viveu na região da Argentina há cerca de 77 milhões de anos.

Os pesquisadores anunciaram recentemente a descoberta e disseram que este gigante pesava cerca de 59.300 quilos e media cerca de 26 metros. O pescoço media cerca de 11,3 metros e a cauda aproximadamente 8,7 metros. Ele foi encontrado no sul da Patagônia.

O paleontólogo Kenneth Lacovara, da Universidade Drexel, no Estado norte-americano de Filadélfia, que localizou o dinossauro e liderou sua escavação e análise, afirmou que os cientistas calcularam seu peso com base nos ossos da parte superior de seu braço e sua coxa.

Esse gigante argentino pesava mais que uma baleia cachalote adulta ou uma manada de elefantes africanos, e era sete vezes mais pesado que o Tiranossauro Rex, fazendo o assustador parente norte-americano, que também viveu no Período Cretáceo, parecer um nanico O Dreadnoughtus schrani tinha “o peso calculável mais confiável” de qualquer animal terrestre conhecido, afirmou Lacovara.






Vacina oral bloqueia ação de vírus HIV em macacos: testes em humanos em breve

A descoberta funciona no sentido oposto para as vacinas normais, mas a sua estrutura relativamente simples, pode conduzir a uma vacina oral eficaz para o ser humano. 

O Vírus da imunodeficiência símia (SIV) é parente próximo do HIV que infectam vários primatas não-humanos, como chimpanzés e mangabeis. Ao contrário do HIV, esses vírus não costumam causar doenças em seus hospedeiros, no entanto, os macacos rhesus são vulneráveis ​​ao SIV e desenvolvem uma doença que é patologicamente semelhante ao de seres humanos infectados com o HIV. Estes macacos são, portanto, um modelo útil para pesquisas em HIV/AIDS.

Em macacos rhesus e seres humanos, o vírus infecta e replica-se no interior das células do sistema imune, em particular, um tipo de células brancas do sangue chamado de CD4 + células T. Estas células são normalmente uma parte crucial de nossa resistência a doenças e, assim, seu esgotamento deixa os indivíduos infectados suscetíveis a infecções por outros patógenos.

Macaco rhesus.

Os macacos que receberam a nova vacina produziram um tipo até então desconhecido de células brancas do sangue regulamentar CD8 que impede que as células CD4 infectadas tornem-se ativas. As células CD4 (não ativadas) são em grande parte não-permissivas para a replicação viral, esta falha impede que o SIV faça novas partículas virais. Subsequentemente, os macacos estavam protegidos contra um desafio de infecção com SIV. 

A vacina envolvia uma combinação de SIV inativado e bactérias. Os primeiros ensaios utilizaram a BCG, muitas vezes usada como uma vacina contra a tuberculose. No entanto, pesquisadores da Universidade Paris-Descartes replicaram o efeito com bactérias intestinais usadas ​​em suplementos probióticos.

Ensaios estão sendo planejados para ver se as pessoas sem HIV têm a mesma resposta imune. Um estudo mais avançado examinará indivíduos infectados pelo HIV submetidos a tratamento com a vacina. Se a resposta for a de que a vacina funciona, então eles podem ser retirados do tratamento anti-retroviral (coquetel) para verificar se o vírus permanece reprimido.

Jean-Marie Andrieu, principal autor do artigo Frontiers in Immunology que anunciou a descoberta, diz que a ideia de suprimir uma resposta ao HIV ao invés de estimulá-lo, como a maioria das vacinas fazem, é antiga. No entanto, ninguém esperava que essa técnica funcionasse tão bem depois de outros caminhos falharem ou terem sido muito caros para uso generalizado.

BCG foi escolhida porque é conhecida por se ligar a células dendríticas infectadas pelo HIV, enquanto que o sistema imunitário reconhece as bactérias do intestino como não sendo uma ameaça e evita atacá-las. 

Dos 29 macacos que receberam a vacina, 15 parecem ter uma proteção completa e duradoura contra SIV. A administração oral, além de ser muito mais fácil, parece ser mais eficaz do que a aplicação vaginal ou retal. Injeções tiveram o menor sucesso.

Quando os macacos receberam anticorpo para as células T CD8, a proteção desapareceu, mas, retornou quando os anticorpos foram retirados. Se o mesmo padrão for observado em humanos, a vacina não só impedirá as pessoas de contrair o HIV, mas poderá funcionar como terapia para quem já está infectado. Surpreendentemente, dado o enorme interesse público no tema, dois meses se passaram entre a publicação do artigo a percepção desse estudo pelo Aidsmap, um importante site internacional que divulga informações científicas e precisas sobre a luta dos cientistas contra a AIDS.

Fonte: IFLScience

A fábrica inesperada de células-tronco dentro dos dentes

O desenvolvimento é geralmente pensado para ser uma rua de mão única. As células-tronco produzem células de diversos tipos específicos, como os neurônios e células gliais que compõem o sistema nervoso, mas o inverso não é suposto de acontecer - ao menos não era, até agora. 

Pesquisadores descobriram recentemente que as células do sistema nervoso podem se transformar de volta em células-tronco em um lugar muito surpreendente: dentro dos dentes. Esta fonte inesperada de células-tronco, potencialmente, oferece aos cientistas um novo ponto de partida tendo em vista a necessidade constante de produção rápida de tecidos humanos para fins terapêuticos ou de pesquisa sem o uso de embriões.

"Mais do que apenas aplicações dentro da odontologia, esta descoberta pode ter implicações muito grandes", diz o biólogo Igor Adameyko do Instituto Karolinska, em Estocolmo, que liderou o novo trabalho. "Estas células estaminais podem ser utilizadas para a regeneração de cartilagem e ossos".

PASIEKA/SCIENCE PHOTO LIBRARY/CORBIS

Os pesquisadores sabiam que a "polpa dentária" no centro dos dentes continham uma pequena população de células-tronco mesenquimais, o tipo de células-tronco que podem 'amadurecer' em dentes, ossos e cartilagens. Mas, ninguém tinha conclusivamente determinado de onde essas células-tronco foram originadas. Adameyko imaginou que se pudesse traçar seu desenvolvimento, ele poderia ser capaz de recriar o processo no laboratório, oferecendo assim uma nova forma de crescimento de células estaminais para a regeneração de tecidos.

Ele e seu e seus colegas já estavam estudando as células gliais, que suportam e cercam os neurônios que serpenteiam através da boca e gengivas e ajudam a transmitir os sinais de dor de dentes para o cérebro. Quando adicionados marcadores fluorescentes com um conjunto de células gliais em ratos, eles observaram que ao longo do tempo, algumas delas migraram para longe a partir dos neurónios na gengiva para o interior dos dentes, onde se transformam em células estaminais mesenquimais. Eventualmente, as mesmas células transformaram-se em células do dente, a equipe relatou esta semana na Nature (veja o artigo).

Antes desta experiência, acreditava-se que as células do sistema nervoso não poderiam voltar a um estado de células-tronco flexível, por isso foi uma surpresa ver esse processo em ação, diz Adameyko. "Muitas pessoas da comunidade científica estavam convencidas de que um tipo de célula não poderia mudar para o outro", diz ele. "Mas, o que descobrimos é que as células da glia ainda mantêm muito a capacidade de tornar-sem células-tronco. Se os pesquisadores compreendem que sinais químicos nas células gliais dos dentes podem se transformar em células-tronco mesenquimais, agora podemos ter uma nova maneira de cultivar células-tronco em laboratório", acrescenta.

"Isso é realmente emocionante porque contradiz o que o nós tínhamos pensado em termos da origem das células-tronco mesenquimais", diz o biólogo do desenvolvimento Ophir Klein, da Universidade da Califórnia, em San Francisco, que não esteve envolvido no novo trabalho. "Mas também é apenas o primeiro passo para entender a interação entre as diferentes populações de células no corpo", acrescenta. "Antes de realmente colocar o prego no caixão em termos de onde as células-tronco mesenquimais são, é importante confirmarmos estes resultados com outras técnicas. Se essa confirmação vem, uma nova fonte de células-tronco para os pesquisadores será de valor inestimável", afirma.

Maior inseto aquático do mundo é descoberto

Milhões de espécies de animais e plantas ainda têm de ser identificados pela ciência, e milhares são descritas a cada ano. Não são muitos, no entanto, que são tão espetaculares como este bicho pequeno descoberto recentemente.

A espécie descoberta é um Megaloptera (significado apropriadamente de 'grande asa'), encontrados em Sichuan, na China. Informações da nova espécie são escassas, pelo menos no idioma Inglês. Na verdade, até agora, parece mesmo que falta um nome oficial, mas temos algumas boas fotos mostrando sua envergadura de 21 centímetros. 

Como a Scientific American revela, há uma abundância de espécies que podem estar entre as maiores espécies de inseto do mundo, e dependendo de como você categorizar por peso e comprimento de envergadura,  este exemplo não pode chegar perto de qualquer um deles. Ele pode, no entanto, ser o maior inseto com um estilo de vida em grande parte aquático.





Sabemos que as outras espécies de Megaloptera passam a maior parte de suas vidas como larvas na água, deixando-a apenas quando pupa se encontra no solo úmido. A expectativa de vida dos adultos é curta e  eles estão sempre ocupados com o acasalamento. Apesar das enormes mandíbulas, os Megaloptera geralmente não são perigosos - as mandíbulas são importantes para os machos conquistarem as fêmeas e para manterem-as presas após atraí-las.

Megaloptera em geral são pouco estudados por causa de sua vida adulta curta, e sua tolerância como larvas em águas barrentas onde os seres humanos raramente vão. Esta falta de informações pode ser reforçada pela dificuldade em encontrá-los na natureza e estudá-los. No entanto, sabe-se que eles têm as menores diferenças entre a forma larval e adulta de todos os insetos que passam por metamorfose completa.

Mãe fumantes afetam o DNA de seus bebês

As mulheres grávidas que fumam não só prejudicam a própria saúde, como também afetam o DNA de seu bebê, de acordo com uma nova pesquisa. A descoberta pode explicar por que os filhos de fumantes continuam a sofrer complicações de saúde mais tarde na vida. 

Bebês nascidos de mães fumantes tendem a ser menores, apresentaram função pulmonar prejudicada, e tem uma maior incidência de defeitos congênitos. Mesmo como adultos, esses indivíduos apresentam problemas de saúde e comportamentais, sendo mais propensos a sofrer de asma, dependência da nicotina, e abuso de substâncias. "Nós temos uma compreensão limitada dos mecanismos biológicos para estes efeitos", disseram a epidemiologista genética Christina Markunas e o epidemiologista perinatal Allen Wilcox, do Instituto Nacional de Ciências de Saúde Ambiental em Research Triangle Park, Carolina do Norte, em um e-mail conjunto para a Science. Vários gatilhos-ambientais, que vão do estresse a dieta, podem modificar quimicamente o DNA do bebê, transformando determinados genes, ativando ou desativando-os.


O novo estudo é um dos maiores de seu tipo para investigar se o tabagismo materno pode causar tais mudanças. Os pesquisadores analisaram o sangue coletado de 889 bebês logo após o parto; aproximadamente um terço dos quais nasceram de mães que fumaram durante o primeiro trimestre. A equipe olhou para os sinais químicos chamados 'grupo metil' de apenas um dos vários tipos de modificações epigenéticas no DNA. 

Os resultados do estudo foram surpreendentes. Crianças nascidas de fumantes apresentaram mudanças epigenéticas em seu DNA que não estavam presentes nos filhos de não-fumantes, conforme relataram na Environmental Health Perspectives. Em comparação com os filhos de mães não fumantes, os bebés nascidos de fumantes tinham alterações em regiões mais de 100 regiões de seus genes. Entre os genes afetados estavam aqueles ligados ao desenvolvimento fetal, os que estão envolvidos com a dependência da nicotina, e a capacidade de parar de fumar. 

O trabalho oferece algumas das evidências mais fortes até agora de que os comportamentos maternos podem modular o DNA fetal durante a gravidez. Além disso, os resultados são apoiados por pesquisas anteriores indicando que tabagismo materno pode alterar o DNA do recém-nascido, diz Andrea Baccarelli, diretora da Laboratório Epigenético Ambiental da Universidade de Harvard. Os resultados desta investigação em grande escala são consistentes com os resultados de estudos menores, anteriores, bem como a pesquisa de examinar diretamente os efeitos de substâncias químicas do cigarro em células, observa. "É um maravilhoso exemplo de convergência entre [em laboratório] estudos de toxicologia e estudos humanos". 

Ainda assim, várias questões permanecem. Por um lado, as mudanças epigenéticas detectadas em recém-nascidos podem não ficar por aqui. "Não há nenhuma maneira de dizer se essas alterações epigenéticas são fugazes e partem do desenvolvimento de células normais ou mais permanentes ou se são verdadeiramente um resultado da exposição à fumaça", diz o geneticista comportamental Valerie Knopik de Rhode Island, em Providence Hospital e Alpert Medical School da Universidade Brown. 

Apesar de mais pesquisas serem necessárias para compreender as implicações das mudanças no DNA observados em recém-nascidos, os resultados abrem as portas para outras questões relativas à saúde das crianças. "Se o tabagismo materno pode alterar o perfil de metilação do DNA de recém-nascidos, outras exposições ambientais a produtos químicos, tais como aqueles encontrados no ar, nossas casas e alimentos, durante a gravidez também podem ter efeitos epigenéticos", Markunas e Wilcox escreveram. "Nós apenas arranhamos a superfície de como exposições durante a gravidez podem afetar o bebê." Agora, a equipe continua em busca de respostas para essas questões.

Pesquisadores eliminam o vírus HIV de células humanas pela primeira vez

O HIV-1, o tipo mais comum do vírus que causa a AIDS, prova ser tenaz, inserindo seu genoma permanentemente no DNA de suas vítimas, obrigando-as a adotar um regime de drogas ao longo de suas vidas para controlar o vírus e prevenir um novo ataque. Agora, uma equipe de pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Temple projetou uma maneira de inibir as associações do HIV-1 com as células humanas.

"Este é um passo importante no caminho para uma cura permanente para a AIDS", diz Kamel Khalili, PhD, professor e presidente do Departamento de Neurociência da Temple. Khalili e seu colega, Wenhui Hu, MD, PhD, professor associado de neurociências da Temple, que conduziram o trabalho que marca a primeira tentativa bem sucedida para eliminar o vírus HIV-1 em células humanas. "É uma descoberta excitante, mas ainda não está pronta para ir para a clínica. É uma prova de que estamos nos movendo na direção certa", acrescentou o Dr. Khalili, que também é diretor do Centro de Neurovirologia e diretor do Centro neuroAIDS da Temple. 

Créditos: CDC/C. Goldsmith, P. Feorino, E. L. Palmer, W. R. McManus.

Em um estudo publicado no dia 21 de julho pela revista Proceedings, da Academia Nacional de Ciências, Khalili e colegas detalham como eles criaram ferramentas moleculares para excluir o DNA pró-viral do HIV-1. Quando implantadas nas células, uma combinação de uma enzima de recorte de DNA chamada nuclease e um filamento alvo de RNA denominado 'RNA guia' (gRNA), caçam o genoma viral e excisar o DNA do HIV-1. A partir daí, a célula assume o reparo de seu DNA, ligando as pontas soltas de seu genoma - resultando em células livres de vírus.

"Uma vez que o HIV-1 nunca é eliminado pelo sistema imunológico, a remoção do vírus é necessária, a fim de curar a doença", diz Khalili, cuja pesquisa se ​​concentra na neuropatogênese de infecções virais. A mesma técnica pode, teoricamente, ser usada contra uma variedade de vírus, diz. 

A pesquisa mostra que essas ferramentas moleculares também são uma promessa como uma vacina terapêutica - células armadas com a combinação de nuclease-RNA mostraram-se impermeáveis à infecção pelo HIV.

No mundo todo, mais de 33 milhões de pessoas têm HIV, incluindo mais de 1 milhão nos Estados Unidos. Todos os anos, mais de 50.000 norte-americanos contraem o vírus, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA. 

Embora a terapia anti-retroviral altamente ativa (HAART) controle o HIV-1 nas pessoas infectadas, o vírus pode enfurecer novamente com qualquer interrupção no tratamento. Mesmo quando a replicação do HIV-1 é bem controlada com HAART, o HIV-1 persistente e isso tem consequências para a saúde. "O baixo nível de replicação do HIV-1 torna os pacientes mais propensos a sofrer de doenças normalmente associadas ao envelhecimento", diz Khalili. Estes incluem cardiomiopatia - um enfraquecimento do músculo do coração - a doença do osso, a doença renal, e distúrbios cognitivos. "Estes problemas são muitas vezes agravados pelas drogas tóxicas que devem ser tomadas para controlar o vírus", acrescenta Khalili. 

Pesquisadores se basearam em duas partes do HIV-1, em um sistema que evoluiu como um mecanismo de defesa bacteriana para proteger contra a infecção, diz Khalili. No Laboratório de Engenharia, Khalili pegou uma parte de 20 nucleotídeos do gRNA para atingir o DNA do HIV-1 emparelhando-o com a nuclease Cas9. O gRNA tem como alvo a região de controle do gene da chamada da 'repetição terminal longa' (LTR). LTRs estão presentes em ambas as extremidades do genoma do HIV-1. Ao direcionar o LTRs, a nuclease Cas9 pode remover os 9709 nucleotídeos que compõem o genoma do HIV-1. Para evitar qualquer risco de o gRNA acidentalmente se ligar com qualquer parte do genoma do paciente, os pesquisadores selecionaram seqüências de nucleotídeos que não aparecem em nenhuma sequências codificantes do DNA humano, evitando assim efeitos 'fora do alvo" e posterior dano ao DNA celular dos pacientes. 

O processo de montagem foi bem sucedido em vários tipos de células que podem ser infectadas pelo VIH-1, incluindo a microglia e macrófagos, bem como em linfócitos-T. Células-T e células monocíticas são os principais tipos de células infectadas pelo HIV-1, por isso eles são os alvos mais importantes para essa tecnologia", disse Khalili. 

A abordagem de erradicação do HIV-1 enfrentará vários desafios significativos antes que esta técnica fique pronta para os pacientes, diz Khalili. Os investigadores devem elaborar um método para administrar o agente terapêutico para cada célula infectada. Por fim, devido ao HIV-1 ser propenso a mutações, o tratamento pode ter que ser individualizado para sequências virais únicas de cada paciente.

"Estamos trabalhando em uma série de estratégias para que possamos levar a construção em estudos pré-clínicos", diz Khalili. "Queremos erradicar cada exemplar único de HIV-1 do paciente. Isso vai curar a AIDS. Acho que esta tecnologia é o que precisamos para fazer isso."

Fontes: Science Daily / PNAS

Estudo revela 180 organismos marinhos biofluorescentes, incluindo tubarões e raias

Pesquisadores estudando barreiras de corais em busca de corais biofluorescentes também descobriram um tubarão que reflete certa luz, junto com uma arraia, enguia e outros peixes. O estudo usou iluminação e câmeras de filtros especiais, o que possibilitou a identificação de mais de 180 espécies de peixes marinhos que exibem biofluorescência.

Para quem não sabe, a biofluorescência é diferente de bioluminescência (luz originada através de reações químicas do organismo) e fluorescência (luz refletida pelos organismos, visível à olho nu). A bioluminescência  é um mecanismo no qual elétrons contidos em determinadas proteínas absorvem a luz em um comprimento de onda e a reemitem em um comprimento de onda menos energético. Utilizando filtros especiais, os humanos podem ver tal fluorescência em tons de vermelho, verde ou laranja, e foi isso o que os pesquisadores fizeram.

A bioluminescência é visível pelo olho humano, mas, a biofluorescência não é.

Veja o vídeo abaixo e impressione-se com as imagens belíssimas do estudo.


Já que não podemos ver a biofluorescência, já parou para pensar em quantas espécies de animais com cores e padrões interessantíssimos podem apresentar essa característica? Será que anfíbios ou répteis podem apresentá-la também?

Camarão mantis usa protetor solar natural para enxergar UV

O cara colorido da foto abaixo coloca os olhos de todos os outros animais 'no chinelo'! Considerando que nós, os seres humanos, recebemos informações de cores através de três receptores de cores nos olhos, o camarão mantis (Neogonodactylus oerstedii) têm 16.

Seis destes receptores são capazes de diferenciar cinco comprimentos de onda discretos de luz ultravioleta, os pesquisadores relataram na revista Current Biology. No artigo intitulado Biological Sunscreens Tune Polychromatic Ultraviolet Vision in Mantis Shrimp, os pesquisadores relataram que a super visão do camarão mantis é possível por meio do uso de filtros ópticos específicos de UV (raios ultravioleta) em suas células cone de detecção de cores.


Os filtros ópticos são feitos de aminoácidos mycosporino semelhantes (MAAs), de uma substância normalmente encontrada na pele ou exoesqueleto de organismos marinhos. Muitas vezes referidos como protetores solares da natureza, os MAAs são geralmente empregados protegendo o organismo contra os raios UV prejudiciais ao DNA, no entanto, o camarão mantis os incorporou em filtros de ajuste espectrais poderosos. Embora a razão para a percepção visual complexa do camarão mantis ainda seja mal compreendida, uma possibilidade é que a detecção de UV pode ajudar a visualizar presas que são difícil de ver em recifes de coral. Muitos organismos absorvem luz UV, e deste modo, seria fácil de detectar objetos escuros em um mundo brilhante.

O que é mais interessante, ao meu ver, é o fato de que dentre esses 16 receptores, há somente dois pigmentos visuais de UV na retina, sendo encontrados quatro tipos de filtros ópticos de UV em algumas regiões específicas dos olhos compostos desse camarão. Esses quatro filtros se combinam, proporcionando o ajuste do arsenal de receptores de UV, o que torna a visão desse bicho muito complexa. Fiquei admirado.

Incríveis fósseis de ictiossauros foram descobertos no Chile após derretimento de uma geleira

Dezenas de esqueletos quase completos de répteis marinhos pré-históricos foram descobertos perto de uma geleira derretendo no sul do Chile.

Os cientistas encontraram 46 amostras de quatro espécies diferentes de ictiossauros extintos. Estas criaturas, cujo nome grego significa "peixe lagarto", um grupo de répteis grandes e rápidos nadadores marinhos que viveram durante a Era Mesozóica, cerca de 245 a 90 milhões de anos atrás.

Os esqueletos recentemente descobertos são de jovens e adultos. As criaturas, provavelmente mortas durante uma série de deslizamentos de terra catastróficos, foram preservados em sedimentos do fundo do mar que mais tarde foram expostos pela geleira derretendo, disseram os pesquisadores no estudo, publicado dia 22 de maio na revista Geological Society of America Bulletin.


Os ictiosauros tinham corpos em forma de torpedo com barbatanas verticais e longos focinhos com dentes. "Eles se pareciam muito com os golfinhos de hoje", disse Wolfgang Stinnesbeck, paleontólogo da Universidade de Heidelberg, na Alemanha e líder do estudo.

Stinnesbeck e sua equipe descobriram espécimes perto do Tyndall Glacier no Parque Nacional Torres del Paine, no Chile. À medida que a geleira derreteu, a rocha que contém os fósseis se tornou exposta, disse Stinnesbeck ao site LiveScience.

Muito pouco dos antigos répteis foram encontrados na América do Sul, mas, apenas alguns restos de costelas e vértebras foram sido encontrados.





Fotos: Wolfgang Stinnesbeck

O maior esqueleto do ictiossauro desenterrado no Chile mede mais de 16 pés (5 metros) de comprimento. Os esqueletos foram extremamente bem preservados - alguns tecidos moles ainda estavam retidos. Os pesquisadores também descobriram fósseis de embriões dentro de um espécime do sexo feminino. Eles atribuíram os fósseis à família Ophthalmosauridae.

Estes animais provavelmente caçavam em um desfiladeiro submarino perto da costa, buscando uma dieta de animais como lulas, polvos e peixes, disseram os pesquisadores. Os pesquisadores acreditam que ocorreram fluxos de lama, ocasionando a morte dos ictiossauros. Os animais provavelmente ficaram desorientados e se afogaram, sendo sugados para dentro do mar, onde os corpos foram enterrados no sedimento, disseram os pesquisadores.

Os ictiossauros nadaram nos mares, ao mesmo tempo em que os dinossauros viviam na Terra e pterossauros reinaram os céus, mas eles podem ter morrido antes de seus - terrestres irmãos - terem se estabelecido no ambiente terrestre, disse Stinnesbeck. A depleção global de oxigênio nos oceanos, possivelmente devido ao vulcanismo, pode ter causado a extinção desses répteis do mar, disse ele.

A descoberta dessas criaturas estabelece a geleira chilena como um dos locais privilegiados para os primeiros répteis marinhos do Cretáceo em todo o mundo, disseram os pesquisadores. Mas chegar ao local do fóssil é metade da batalha. Para alcançá-lo, a equipe teve que dirigir por cinco horas, caminhar por 10 a 12 horas para o acampamento e depois caminhar mais duas horas, às vezes sob forte chuva, granizo ou neve.

"Este tem sido um dos mais difíceis acampamentos que já tive", disse Stinnesbeck.
Texto resumido e traduzido do post "Ancient 'Fish Lizard' Graveyard Discovered Beneath Melting Glacier", escrito por Tanya Lewis para o site LiveScience.
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