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Primeiro peixe de sangue quente é descoberto

Pesquisadores descobriram o primeiro peixe que pode manter todo o seu corpo quente, bem como mamíferos e aves. O opah, ou moonfish (conhecido também como peixe-lua por causa de seu formato), vive em águas profundas, frias, mas ele gera calor de seus músculos peitorais robustos. Ele conserva esse calor graças a gordura corporal e a estrutura especial de vasos sanguíneos em suas guelras.

"É uma adaptação notável para um peixe", diz Diego Bernal, um fisiologista de peixes da Universidade de Massachusetts, Dartmouth, que não esteve envolvido no estudo.


A água toma o calor da maioria das criaturas. Então, os peixes permanecem com uma temperatura tipicamente igual à temperatura da água em que nadam. Isso, por sua vez, limita as suas funções biológicas em água mais frias, especialmente em termos de resistência cardiovascular. Há exceções parciais, como o atum, o peixe agulha, e alguns tubarões que podem aumentar temporariamente a temperatura de seus músculos do corpo, enquanto se movimentam e caçam em águas com temperaturas inferiores, mas eles devem voltar para as águas mais quentes para que a sua temperatura central volte ao normal.

O opah (Lampris guttatus) não se parece com um predador feroz. Este peixe, que possui cerca de um metro de comprimento, nada batendo suas barbatanas peitorais. Ele vive nos oceanos de todo o mundo, mas pouco se sabe sobre a sua biologia. Ele caça lulas e peixes, tipicamente de 50 m a 200 m abaixo da superfície, em que a água possui temperatura entorno de 10 ° C e é mais fria que a superfície. Em 2012, Owyn Snodgrass, um biólogo de pesca com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica, em San Diego, Califórnia, coletou um opah ao largo da costa da Califórnia, como parte de uma pesquisa regular. Ele ofereceu as brânquias ao seu colega Nicholas Wegner, um fisiologista peixes.

NOAA FISHERIES WEST COAST

As brânquias foram armazenadas em um balde plástico de 20 litros por alguns meses antes de Wegner começar a estudá-la. "Percebi imediatamente que havia algo único", lembra ele. Os peixes têm apenas alguns grandes vasos sanguíneos que levam sangue das e para as brânquias, onde os vasos minúsculos captam o oxigênio dissolvido na água. Mas o opah tem uma elaborada rede de vasos sanguíneos minúsculos, em que as artérias ficam ao lado de veias em matrizes hermeticamente embaladas.

Este arranjo das artérias e veias emparelhados é conhecido como uma "rete mirabile", ou "excelente líquido", e muitas vezes funciona como um permutador de calor em contracorrente em outras espécies. Vasos que transportam sangue quente transferem o seu calor para o sangue frio em vasos que vem de volta das extremidades. Este truque anatômico ajuda aves aquáticas minimizar a perda de calor quando seus pés estão na água fria; algumas baleias têm permutadores de calor semelhantes em suas línguas. O atum, o peixe agulha, e certos tubarões usam esta "rete mirabile" para manter seus músculos quentes.

O opah é o primeiro peixe descoberto com uma rete mirabile em torno de suas brânquias. Esse permutador de calor das brânquias é envolto em uma camada de gordura com 1 centímetro de espessura, o que é incomum em peixes. Presumivelmente, ela tem uma função de isolamento térmico.

Wegner, Snodgrass, e seus colegas decidiram medir a temperatura de opah no mar. Eles descobriram que a temperatura média do corpo estava a cerca de 5°C mais quente do que a água a partir do qual eles foram pegos, como eles relataram no artigo publicado na revista Science.

Os pesquisadores também mediram a temperatura muscular em peixes vivos enquanto nadavam. Para fazer isso, eles pegaram opah usando um anzol e linha, implantaram um monitor de temperatura para os músculos peitorais, e os deixou nadando por algumas horas. Mesmo a água estando a 4°C, os músculos permaneceram com temperatura entre 13°C e 14°C.


Uma maior temperatura corporal deve proporcionar diversas vantagens, incluindo natação mais poderosa e melhor resistência. Como outros pesquisadores relataram, em 2009, o cérebro e os olhos do opah são ainda mais quente do que o resto do corpo, graças a um pequeno permutador de calor em contracorrente na base de seu crânio. O sangue flui para os olhos é aquecido por músculos do olho especializados que geram calor sem contratação, uma característica encontrada apenas em peixes.

Isso tudo fez Wegner suspeitar que o opah é um predador ativo, ao contrário dos outros predadores residentes que tendem a emboscar presas. Com a visão aguda, tempos de resposta rápidos, e resistência, o opah pode perseguir lulas e peixes rápidos como as barracudas.

Wegner e seus colegas têm coletado dados de comportamento desses peixes nadando livremente, usando sensores que se desprendem dos opah 2 dias depois e flutuam na superfície. Mas ainda há muito a ser aprendido sobre esta criatura de sangue quente misteriosa que tem dominado as profundezas frias. "Ele nos mostra como os peixes podem se adaptar de maneira surpreendente", diz Wegner.

Fonte: Science

O peixe da luz vermelha

O contexto
Cerca de 20 metros abaixo do oceano existem pequenas luzes vermelhas. Em 2008, Nico Michiels da Universidade de Tubinger na Alemanha e seus colegas demonstraram que, inexplicavelmente, muitas espécies de peixes emitem uma fluorescência com padrão avermelhado de seus corpos, e algumas são capazes de enxergar esses comprimentos de ondas. A equipe de Michiel avança nas buscas para determinar se isto tem alguma significância funcional nas espécies.

O experimento
Em um aquário com uma luz monocromática azul, machos de peixe da espécie Cirrhilabus solorensis responderam aos seus reflexos em um espelho, eriçando suas nadadeiras defensivamente ou tentavam atacar a própria imagem. Quando os pesquisadores colocaram um filtro no espelho que absorvia os comprimentos de onda vermelhos, os peixes tornaram-se menos agressivos, demonstrando que eles podem perceber e reagir à fluorescência.

Acima é possível ver um macho de C. solorensis sem o filtro de fluorescência. Abaixo temos a presença do filtro e o comportamento agressivo do mesmo.

O ajustamento
Nos ambientes marinhos profundos onde esses peixes vivem, existem pequenas quantidades de luz vermelha enquanto que a luz azul utilizada no experimento não existe nesses locais. O ajustamento no laboratório talvez tenha exageradamente influenciando no comportamento do peixe em relação à fluorescência vermelha, disse Gil Rosenthal da Universidade do Texas A&M, que não estava envolvido no trabalho. Sem estudar essa espécie de peixes nos ambientes de recifes - uma façanha desafiadora - é bem difícil de avaliar esse comportamento.

A simplificação
Peixes de recife pode ter uma ampla gama de respostas visuais e comportamentais previamente estudadas. Este estudo "indica que a fluorescência vermelha é uma importante parte da comunicação intraespecífica", diz Michiel. Rosenthal observa que esses resultados também aumentam as questões, em primeiro lugar, sobre como a fluorescência vermelha em peixes de corais evoluiu.

O artigo científico
T. Gerlach et al., “Fairy wrasses perceive and respond to their deep red fluorescent coloration,”Proc R Soc B, doi:10.1098/rspb.2014.0787, 2014.

Fonte: Seeing red / Por Rina Shaikh-Lesko - The Scientist

Novidade: peixe é capaz de mudar de cor rapidamente

Os camaleões e polvos são conhecidos por suas rápidas mudanças de cor, mas peixes? Acontece que pelo menos uma espécie de peixe do gênero Gobio é também uma artista de mudança rápida de cor.

Houveram relatos de góbios e outros peixes de poças de maré que são capazes de mudar as cores, mas os cientistas tinham ignorado esse comportamento até recentemente. Um estudo publicado dia 15 de outubro (2014) na revista PLoS ONE é o primeiro a medir essa habilidade em um peixe, o góbio rockpool (Gobius paganellus). A nova pesquisa mostra que o uso de mudança de cor para se camuflar pode ser mais comum no reino animal do que se pensava.

Góbio rockpool em meio às algas. Foto: Jack Sewell


Habitat de poças de maré do góbio é um ambiente desafiador para um pequeno peixe. Há uma ampla gama de poças de diferentes origens, e as marés e as ondas podem empurrar os animais sobre eles rapidamente. Para os peixes que desejam ficar escondidos dos predadores que utilizam a zona intertidal como buffet pessoal, tais como aves e peixes maiores, isto pode ser um problema.

Pesquisadores da Universidade de Exeter, no Reino Unido, liderada por Martin Stevens, pensaram que os góbios podem se beneficiar por serem capaz de rapidamente mudar de cor e se camuflar em tal ambiente. Eles descobriram que o góbio rockpool pode mudar sua cor e brilho e se misturar com diferentes substratos. E o que é mais interessante é que eles podem realizar a mudança em menos de um minuto.

Stevens e seus colegas coletaram góbios rockpool de poças de maré em Cornwall, Reino Unido, e colocaram-os em bandejas cheias de água do mar com fundos de brilhos diferentes (preto ou branco) e cor (vermelho ou azul) e registraram o que aconteceu.

Os pesquisadores descobriram que os góbios tentaram combinar a sua cor com a cor do fundo, tornando-se mais brilhante em fundo branco, mais escuros em fundos pretos, mais vermelhos contra fundos vermelhos e um cinza mais escuro no fundo azul.

"A velocidade da mudança veio como uma surpresa", diz Tom Sherratt, um biólogo da Universidade de Carleton, em Ontário, Canadá, que não estava envolvido na pesquisa. "Mas eu acho que qualquer peixe que levou muito tempo para se misturar com o fundo iria rapidamente tornar-se o almoço", ele acrescenta. "As descobertas são uma maravilha porque mais espécies não podem mudar de cor na forma como góbios fazem!"

Um peixe de uma cor diferente
"Inicialmente, eu pensei que os góbios iriam mostrar as mudanças mais dramáticas para o brilho, porque eles não são animais especialmente coloridos até você vê-los de perto", diz Stevens. "Mas o nosso estudo sugere que a cor pode realmente ser mais importante porque encontramos o nível de mudança de cor foi mais forte do que a de brilho."

Os góbios possuem habilidades de camuflagem que sugere que alguns tipos de cores são mais fáceis de assumir que outros. Por exemplo, o peixe ficou vermelho contra um fundo vermelho, mas não pôde corresponder a um fundo azul. Azul é raro em seu ambiente familiar, diz Stevens, mas há muitos objetos vermelhos, tais como algas vermelhas, pedras marrom-avermelhadas, corais. Por isso, é provavelmente mais importante para estes góbios ser capaz de ficar vermelho do que azul.

Enquanto góbios não mudam de cor tão rapidamente como camaleões ou polvos, Stevens diz que as habilidades de mudança de cor do peixe são bastante diferenciadas. "Eles são capazes de alterar o brilho independentemente da cor e vice-versa", diz ele.

Devi Stuart-Fox, uma zoóloga da Universidade de Melbourne, na Austrália, que não estava envolvida no estudo, ficou impressionada com o uso dos métodos de estado-da-arte utilizado por Stevens nas análises das imagens para medir a mudança de cor dos góbios. "Eles não pararam por aí", diz ela. "Os autores foram depois para estimar se as aves predadoras seriam capazes de detectar as mudanças de cores dos góbios. Eles descobriram que os pássaros não poderiam e isso é o que conta para um góbio", Stuart-Fox explica.

Stevens pretende aprofundar seus estudos sobre esses artistas de camuflagem. Ele gostaria de saber se góbios podem sintonizar sua camuflagem para os sistemas visuais de diferentes grupos de predadores, como peixes e aves, da mesma forma que os camaleões fazem. Por exemplo, góbios podem mudar sua camuflagem na maré baixa para se esconder de pássaros e escolher uma camuflagem diferente para a maré alta para escapar dos peixes predadores? Só mais investigações responderão essa pergunta.
Fonte: Fish Changes Color in a Flash, Scientists Discover, por Mary Bates.

Fisiologia animal: adaptação a ambientes frios

Nós sabemos que os animais possuem as mais variadas adaptações e isso varia de acordo com os ambientes que eles vivem. Devemos sempre lembrar: não é o mais forte que sobrevive. Quem sobrevive é sempre o indivíduo que melhor está adaptado ao ambiente - o que possui uma série de características fenotípicas e genéticas que propiciam a sobrevivência e o sucesso reprodutivo. Para mais detalhes sobre seleção natural e evolução, veja os posts:


Os animais que vivem no frio possuem diversas adaptações muito interessantes. Os climas que propiciam períodos de frio prolongado e intenso promovem nos animais três tipos de respostas: (1) os animais podem se esquivar do frio, podendo simplesmente se deslocar para outras regiões à medida que a temperatura diminui, indo em direção às regiões mais quentes; (2) podem estar adaptados de tal forma que toleram o frio ou (3) podem viver ativamente e se reproduzir em períodos mais quentes e no inverno iniciam o período de repouso e inatividade, conhecido como hibernação.

Pequeno mamífero hibernando.


POIQUILOTÉRMICOS EM AMBIENTES FRIOS
Em diversos experimentos, quando organismos invertebrados e vertebrados poiquilotérmicos foram resfriados, foi possível observar alterações fisiológicas que os possibilitaram funcionarem mais eficazmente em temperaturas mais baixas. Esse processo se chama aclimatação, e, quando ocorre em ambiente natural, se chama aclimatização. Conforme cai a temperatura, o animal eventualmente enfrenta um grande problema: evitar o congelamento. Eles podem fazer isso através de dois modos. O primeiro é a capacidade de diminuir o ponto de congelamento dos fluídos corporais através da adição de soluto nesses fluídos (no sangue, hemolinfa, etc). O segundo modo é a capacidade de superesfriar.

Sapo-da-madeira hibernando.

Diminuindo o ponto de congelamento dos fluídos corporais
Essa característica é muito evidenciada em insetos. Muitos insetos baixam o ponto de congelamento de seus fluídos através da secreção de uma substância muito importante - glicerol. Um exemplo muito conhecido no reino animal é um parasita (Bracon cephi) da mosca-do-trigo encontrada no Canadá. As larvas do parasita podem sobreviver a uma temperatura muito baixa de até -40º C. Isso ocorre pelo fato das concentrações do glicerol aumentarem na hemolinfa ("sangue" dos insetos) à medida que a temperatura é reduzida. A concentração de hemolinfa pode chegar a 5M, e nesse ponto o ponto de congelamento baixa para -17,5 ºC. O uso do glicerol utilizado pelos insetos como "anticongelativo" pode ser um precursor utilizado por nós, por exemplo, em sistemas de refrigeração dos carros durante o inverno.

Além de diminuir o ponto de congelamento dos fluídos corporais, o glicerol tende ainda a proteger os tecidos dos efeitos lesivos do congelamento, caso de fato o organismo chegue a congelar. Essa proteção se dá pela viscosidade do glicerol, impedindo que o aumento na concentração dos eletrólitos resultante da formação de gelo, atinja facilmente níveis tóxicos. 

Superesfriamento
O superesfriamento ocorre sob condições extremamente favoráveis, onde a água comum pode ser progressivamente esfriada até -41ºC, antes de serem formados cristais de gelo. As moléculas da água tendem a se tornarem cada vez mais semelhantes ao gelo conforme a temperatura diminui abaixo de 0º C: as moléculas individuais movem-se cada vez mais perto e mais lentamente. Posteriormente, forma-se um núcleo de cristal de gelo, e esse por sua vez tende a crescer até que todas moléculas de água congelem. Por outro lado, o gelo também pode formar nos organismos através de uma 'semente', uma substância estranha que congela mais rápido que os líquidos do organismo.

Superesfriamento em peixes
Os peixes não hibernam - eles não podem fugir do frio intenso, continuando ativos mesmo quando estão superesfriados. O ponto de congelamento de alguns peixes das regiões mais frias do planeta situa-se entorno de -0,9 a -1,0º C. Porém, caso a água esteja numa temperatura menor que -3º C, o peixe pode se congelar, ou ainda, pode tocar em alguns cristais de gelo e congelar imediatamente. Porém, o superesfriamento não explica a capacidade de alguns peixes ósseos nadarem abaixo de placas gigantes de gelos - em lagos congelados, por exemplo - alguns outros fatores estão envolvidos. Por exemplo, em alguns peixes foi possível observar que de acordo com a diminuição da temperatura da água ocorria o aumento da osmolaridade do plasma sanguíneo. O ponto de congelamento do plasma desses peixes é muito próximo ao ponto do congelamento da água onde eles estão, isso também dificulta a morte desses animais por congelamento. O plasma tende a aumentar a sua osmolaridade à medida que o cloreto é adicionado no sangue, e o mais interessante é que nos peixes não foi encontrado nenhum tipo de glicerol, como é encontrado nos insetos.

Serpentes em estado de dormência numa caverna.

Dormência em Poiquilotérmicos
Muitos organismos poiquilotérmicos passam o inverno em estado de dormência com a taxa metabólica reduzida e com a temperatura corporal muito próxima à do ambiente. Esse estado não pode ser comparado à hibernação por dois grandes motivos: em primeiro, porque o despertar não é possível até que o animal esteja aquecido 'passivamente', ou seja, pelo próprio calor do ambiente, e, segundo, porque não existem "mecanismos de segurança" como veremos logo abaixo nos mamíferos hibernantes, que aumentam o seu metabolismo de acordo com a redução da temperatura ambiente ou acordam se a temperatura corporal se aproximar de seu ponto de congelamento. Nessas condições, os poiquilotérmicos congelam.

HOMEOTÉRMICOS NÃO-HIBERNANTES
Os homeotérmicos mantem-se ativos no inverno, ou, pelo menos em determinados períodos, por conta da capacidade que possuem em reter o calor corporal através de seus isolantes térmicos naturais. Porém, é muito importante salientar que embora a temperatura interna seja mantida, a temperatura das extremidades, como pés, dedos, orelhas, são muito menores. O organismo também apresenta algumas adaptações notáveis em função dessas diferenças de temperaturas corpóreas, como por exemplo, os nervos - eles são mais resistentes ao frio nas extremidades do corpo e menos resistente no interior.

Em certas gaivotas aclimatadas (em condições ideais em laboratório) o nervo tibial, que vai da medula espinhal até os músculos das patas, apresenta diferenças na capacidade de conduzir impulsos nervosos que varia em diferentes locais do corpo quando no inverno. Por exemplo, a temperaturas de 11,7º C, o nervo é bloqueado, sendo que este é mantido numa região relativamente quente encoberto pelas penas, enquanto que o nervo na parte nua inferior da cauda para de conduzir impulsos numa temperatura de 2,8º C. Logo, uma única célula nervosa apresenta diferentes sensibilidades à temperatura.

Raposa-do-ártico (não-hibernante)

Maior espécie de gaivota do ártico (não-hibernante).

Outros fatores isolantes podem ocorrer nos animais homeotérmicos de regiões frias, como por exemplo a gordura nos tecidos expostos ao frio. A gordura da parte distal da pata de animais árticos, como o caribou, apresenta um ponto de fusão de 30º C mais baixo que a gordura do interior de seu corpo, enquanto a gordura dos cascos funde-se a 0º C ou menos, permitindo que os mesmos permaneçam flexíveis e maleáveis nessas temperaturas.

Os mamíferos podem diminuir a perda de calor pela superfície corporal através da camada de gordura subcutânea e também através dos pelos, que captam grande quantidade de ar. Em fisiologia, chamamos de L a camada que atua como isolante térmico nos animais. Nesse caso, quanto maior o L, ou seja, a camada de gordura e a camada de pelos, mais isolado o animal tende a ser. A camada de pelos é importante porque ela proporciona a retenção de ar e, nesse caso, o ar tende a ficar mais aquecido entre os pelos do que o ar do ambiente, funcionando também como uma importante barreira isolante, dificultando ainda mais a perda de calor nesses animais. É por isso que os povos nativos dessas regiões usam as peles dos grandes mamíferos.

Um nome mais apropriado para a camada L é a unidade "clo", que vem da semelhança do isolamento térmico dos animais com o vestuário humano - quanto maior a quantidade de roupas, mais isolados ficamos, do mesmo modo, quanto maior a quantidade de gordura e pelos nos animais, mais isolados eles ficam. No caso, a raposa branca do ártico é um dos animais que possuem o maior isolamento térmico do reino animal utilizando essa unidade clo. A raposa branca tem um isolamento de aproximadamente 9 unidades clo enquanto que um musaranho ou doninha possuem de 1 a 2 unidades clo de isolamento.

É importante salientar que existe um tipo especial de gordura em mamíferos, muito mais comum nas espécies que enfrentam períodos de inverno rigorosos - a gordura marrom. Todos nós, quando bebês, até determinada idade possuímos gordura marrom. Essa gordura atua como um 'combustível' para produção de calor corporal. À medida que crescemos, a gordura marrom some. Porém, em mamíferos de regiões frias essa gordura é constantemente produzida e pouco antes da hibernação ela é produzida ainda mais, garantindo uma fonte extra de produção de calor corporal.

Figura ilustrando a disposição da gordura marrom em um bebê.

Alguns pesquisadores conseguiram transformar, em ratos, a gordura branca (gordura ruim, que fixa no organismo e não é facilmente consumida) em gordura marrom (que é facilmente consumida por ter função principal de gerar calor corporal). Eles querem fazer as pessoas emagrecerem ser realizar atividades físicas, convertendo a "gordura ruim" em "gordura boa" - veja detalhes no post Uma nova forma de queimar calorias.

Endotérmicos: Respostas Metabólicas ao Frio
Nos animais árticos, quando o isolamento é muito eficiente, não há necessidade da temperatura corporal aumentar - só aumenta quando a temperatura ambiental cai a níveis muito baixos. Ou seja, a temperatura corporal dos animais de regiões frias tende sempre a ficar próxima da temperatura corporal basal, que é aquela em que o organismo não sofre danos por ação do frio e ainda consegue reter certa quantidade de calor necessário para a realização das atividades metabólicas. Por isso, só quando a temperatura ambiental diminui ainda mais e ultrapassa a tolerância do animal, a produção de calor endógena inicia, elevando a temperatura corpórea, suprindo a perda de calor.

Por exemplo, a raposa-do-ártico que vive em locais com temperatura de até -40º C, necessita de apenas um pequeno aumento na taxa metabólica para sobreviver nas condições mais frígidas da terra. Por esta razão, elas podem dormir na neve, no relento, em uma temperatura de -80º C sem ter qualquer diminuição da temperatura corporal.

HIBERNAÇÃO EM MAMÍFEROS
A hibernação pode ser definida como um fenômeno periódico, no qual a temperatura corporal cai a um nível baixo, aproximando-se da temperatura ambiente. Nesse caso, a frequência cardíaca, a taxa metabólica e diversas outras funções fisiológicas são reduzidas a níveis mínimos. Ainda na hibernação, o despertar espontâneo pode ocorrer à qualquer momento. As ordens de mamíferos que mais praticam a hibernação são: Rodentia, Insectivora e Chiroptera.

Essa é uma importante adaptação que possibilita aos animais suportarem períodos de stress ambiental, que envolve principalmente a falta de alimento. No verão, os hibernantes são homeotermos, ou seja, a sua temperatura corporal independe da temperatura ambiental. Porém, no inverno, estes se tornam virtualmente poiquilotérmicos. Sabe porque? Simples! A perda de calor é tão constante e rápida que o organismo teria de produzir muito calor corporal em um curto período de tempo. Só que isso é impossível devido à várias limitações fisiológicas dos homeotermos - a quantidade de calor produzida leva certo tempo e depende da quantidade de energia que o organismo possui e da velocidade das reações metabólicas (que tende a diminuir quanto maior é a perda de calor pela redução da temperatura ambiental). Ou seja, ao invés de "lutar" contra a perda de calor corporal e gastar muita energia "á toa", o organismo tem a hibernação como uma importante adaptação que garante a sua sobrevivência - a sua temperatura corporal reduz tanto que se aproxima da temperatura ambiental e as atividades metabólicas baixas são mantidas através de toda energia armazenada em forma de gordura obtida pouco antes do período de inverno chegar.

Urso-negro hibernando.

Durante a hibernação a frequência cardíaca pode reduzir a 5-6 batimentos por segundo, mas, algumas outras adaptações importantes garantem que o sangue não coagule ou congele e circule ainda por todo o corpo. Dentre essas adaptações importantes, podemos destacar a vasoconstrição, que é uma contração dos vasos, aumentando a distância deles da superfície corporal, reduzindo a perda de calor. Essa contração cria uma grande pressão nos vasos e, associada com a maior viscosidade do sangue, permite a circulação total em todo o organismo. A frequência respiratória pode reduzir a uma respiração por minuto e as funções renais diminuem bastante. Muitas glândulas, como a tireóide, adrenais, pituitária e gônodas diminuem ou até param suas atividades.


Entrada em Hibernação: Existem dois modos de entrar em hibernação: algumas espécies podem entrar em hibernação gradualmente, ao longo de vários dias, como o esquilo terrestre (Citellus beecheyi). Ao longo das noites a temperatura tende a cair várias vezes, até que em determinado momento a temperatura cai num estado que não é mais reversível, e então, o animal entra em hibernação. Uma outra forma é a conhecida hibernação única, como vemos em ursos, anuros, morcegos, e outras espécies, onde após determinados dias o animal se locomove para um local seguro e isolado do frio, e, inicia a hibernação que pode se estender por todo o inverno.

Os mecanismos que desencadeiam a hibernação ainda não são muito conhecidos. Porém, há três fatores principais que são considerados pelos cientistas como responsáveis por desencadear a hibernação: (1) a temperatura ambiente e suas variações, (2) o ciclo de luz e (3) a quantidade de comida armazenada no corpo.

Algumas equidinas e diversas espécies de mamíferos também
 podem hibernar nas regiões tropicais.

Despertando da Hibernação: Ao contrário do que muitos pensam, muitas espécies podem sair de seus abrigos várias vezes ao longo da hibernação. Alguns animais tendem a comer um pouco de comida que guardaram em suas tocas, outros tendem a fazer outras atividades. Quando a temperatura ambiente faz com que a temperatura corporal se aproxime da temperatura corporal basal, o organismo pode também acordar da hibernação.

Uma série de fatores contribuem com o despertar da hibernação: o aumento da respiração, o aumento súbito na produção de calor corporal, o aumento da atividade cardíaca e a redução das reservas de gordura marrom. Geralmente o despertar definitivo está associado com as grandes mudanças que ocorreram gradualmente no ambiente, como por exemplo o aumento gradual da temperatura ambiental que ao mesmo tempo propicia a redução de perda de calor corporal. Quando iniciado o despertar, mudanças começam a acontecer: o calor produzido é distribuído em turnos para determinados órgãos. O coração, pulmão e cérebro e outras estruturas na cabeça e tórax são aquecidos antes do abdome e extremidades. Essa coordenação na circulação ocorre através das fibras responsáveis pela vasoconstrição dos vasos sanguíneos. No início do despertar pode haver diferenças de até 20º C entre o tórax e o abdome.



Torpor Diário
Além da hibernação sazonal, certas espécies apresentam um ciclo diário de intensa atividade seguido de um profundo torpor. Esse comportamento parece ser característico de aves e pequenos mamíferos que possuem taxas metabólicas muito elevadas. Essa situação é parcialmente crítica em pequenos morcegos insetívoros (Microchiroptera) e nós beija-flores (Apodiformes), os quais, devido aos seus hábitos aéreos, não podem carregar grandes provisões de energia e são ainda limitados por seus hábitos alimentares (beija-flores, de dia, e morcegos insetívoros, de noite).

Estudo revela 180 organismos marinhos biofluorescentes, incluindo tubarões e raias

Pesquisadores estudando barreiras de corais em busca de corais biofluorescentes também descobriram um tubarão que reflete certa luz, junto com uma arraia, enguia e outros peixes. O estudo usou iluminação e câmeras de filtros especiais, o que possibilitou a identificação de mais de 180 espécies de peixes marinhos que exibem biofluorescência.

Para quem não sabe, a biofluorescência é diferente de bioluminescência (luz originada através de reações químicas do organismo) e fluorescência (luz refletida pelos organismos, visível à olho nu). A bioluminescência  é um mecanismo no qual elétrons contidos em determinadas proteínas absorvem a luz em um comprimento de onda e a reemitem em um comprimento de onda menos energético. Utilizando filtros especiais, os humanos podem ver tal fluorescência em tons de vermelho, verde ou laranja, e foi isso o que os pesquisadores fizeram.

A bioluminescência é visível pelo olho humano, mas, a biofluorescência não é.

Veja o vídeo abaixo e impressione-se com as imagens belíssimas do estudo.


Já que não podemos ver a biofluorescência, já parou para pensar em quantas espécies de animais com cores e padrões interessantíssimos podem apresentar essa característica? Será que anfíbios ou répteis podem apresentá-la também?

Aranhas comendo peixes: mais comum do que se pensava

Fazendo uma emboscada, quatro pernas em uma folha e quatro pernas sentindo as vibrações da água, a aranha Dolomedes triton pode pegar um peixe de duas vezes o seu tamanho, em um instante. Segurando firme, ele injeta em sua presa aquática uma dose letal de veneno e o leva para a terra seca, onde passa horas enchendo-o de enzimas digestivas, sugando a sua carne liquefeita.

Dolomedes triton, Foto: Andreas Kettenburg - Califórnia/USA

Aranhas que se alimentam de peixes soa como algo saído de um pesadelo para muitas pessoas, mas até recentemente, os cientistas tinham certeza que apenas alguns tipos de aracnídeos poderiam pescar. Agora, uma nova pesquisa mostra que pelo menos 26 espécies de aranhas sabem pescar e vivem em todos os continentes, exceto na Antártida.

Martin Nyffeler, um aracnólogo da Universidade de Basel, na Suíça, começou a coletar relatos de aranhas predando peixes enquanto pesquisava interações inseto-aranha mais tradicionais. Após a publicação de artigos sobre aranhas que comem caracóis e morcegos, ele voltou sua atenção para as aranhas que comem peixes, e descobriu uma incompatibilidade entre o que livros dizem sobre aranhas de pesca, e que o Google Images mostra claramente.

Aranha Nilus, Foto: Duncan Reid - Yale/USA

Aranha Trechalea, Foto: Jacques Jangoux - Belém/Brasil

De acordo com os livros didáticos, Nyffeler diz, aranhas de pesca são, principalmente, as do gênero Dolomedes e Nilus. Estas aranhas vivem na América do Norte, Europa, Nova Zelândia e Austrália, onde eles ganham nomes como aranhas-doca e aranhas-jangada, porque elas vivem perto de corpos de água, podem andar sobre a superfície da água, e têm pelos no corpo que funcionam como uma armadilha de ar, ajudo-as a flutuar e respirar quando vão abaixo.

Fotografias de Dolomedes comendo peixe são muitas vezes feitas em laboratório e não são difíceis de encontrar, mas acontece que essas aranhas não são as únicas que fazem isso. Depois de estudar 89 relatos de aranhas selvagens predando peixes, incluindo algumas conhecidas apenas a partir de fotos compartilhadas on-line, Nyffeler e seus colegas descobriram que as aranhas de pelo menos oito famílias diferentes têm sido documentadas predando peixes na natureza, eles relatam na PLoS ONE.

Por exemplo, as aranhas do gênero Ancylometes, que podem ser tão grande quanto 20 centímetros e podem mergulhar até 20 minutos, rondando as bordas de lagos da América do Sul, à noite, em busca de peixes, além de suas presas conhecida de rãs, girinos e lagartos - comportamento muitas vezes documentado por fotógrafos amadores, mas nunca antes reconhecido pelos cientistas.

Apesar de aranhas que capturam peixes serem encontradas em todo o mundo, quase todas se encontram em latitudes tropicais. Nyffeler acha que pode ser porque a água mais quente tem menos oxigênio, forçando os peixes a passar mais tempo na superfície, onde aranhas esperam.

Outra aranha Nilus, Foto: Marcelo de Freitas - África do Sul

Os peixes parecem ser grandes presentes surpresas para estas aranhas, que provavelmente estão pegando insetos aquáticos (maioria de sua dieta), mas acabam dando sorte quando pegam um peixe, diz Nyffeler. Enquanto a presa inseto tende a ser muito menor do que o corpo de uma aranha, o peixe que as aranhas capturam podem ser muito maiores, a média dos peixes neste estudo foi o dobro do tamanho do corpo (sem contar as pernas) da aranha que os pegou. A equipe encontrou relatos de peixe tão grande quanto 9 gramas, mas acredita que as maiores aranhas provavelmente podem capturar presas tão grandes de cerca de 30 gramas.

"Esta avaliação é uma introdução valiosa para o fenômeno da predação de peixes por aranhas", diz David Wise, um ecologista que estuda o papel das aranhas em teias alimentares na Universidade de Illinois, Chicago. Ainda assim, ele diz que o trabalho tem relatos que ainda devem ter confirmação, porque as aranhas pescadores conhecidas como Dolomedes compõem de cerca de 80% das observações.

"Dado o grande número de peixes na maioria dos corpos d'água, eu duvido que a predação por aranha tem muito impacto sobre as populações de peixes", diz Richard Vari, um ictiólogo no Smithsonian Institution, em Washington, DC. No entanto, diz ele, "não há qualquer razão para não acreditar que as observações futuras poderão aumentar em número de espécies que demonstram este padrão de alimentação nas áreas do mundo onde ele ocorre."

O peixe cego que aprendeu a contar

Um peixe não precisa de olhos para contar. O peixe cego da Somália, conhecido como Cavefish (Phreatichthys andruzzii) escolhe entre diversas varas com quantidades diferentes de iscas, as que possuem maiores quantidades de alimento.

Estudos anteriores demonstraram que os peixes - bem como mamíferos e aves - podem ser treinados para discriminar entre quantidades. Para testar se o peixe cego, que evoluiu durante milhões de anos na escuridão perpétua de cavernas sob o deserto, ainda tem essa capacidade, os pesquisadores colocaram diversos conjuntos de varas plásticas nas laterais de seus tanques, e adicionaram flocos de alimentos só entre o maior conjunto de varas.

O peixe cego, eles relatam esta semana no The Journal of Experimental Biology, aprendeu a escolher as varas maiores, que tinham mais alimento, mesmo quando este não estava mais presente. Mesmo quando as varas escolhidas foram arranjadas em outras posições no aquário, o peixe escolheu corretamente as varas que já havia escolhido antes, porque ele aprendeu que o maior conjunto de varas tinha mais alimento.


Cego a vida inteira, o cavefish desenvolveu seus sentidos através da detecção de mudanças sutis no fluxo de água ao seu redor, sendo capaz de diferenciar quantidades. Além disso, o contato como diferentes formas e quantidades provavelmente o ajuda a se aproximar da maior quantidade de larvas de insetos ou plâncton para sobreviver, ou a juntar-se o maior grupo de outros cavefish para se protegerem, como se pudesse literalmente contar o número de indivíduos através de sua percepção "cega".

Ciclope do mar: fotos do tubarão de um olho só

O tubarão ciclope é uma exceção no mundo animal. Embora rara, a "ciclopia" é uma verdadeira anomalia de desenvolvimento em que apenas um dos olhos se desenvolve. Fetos humanos são muitas vezes afetados, como em um caso de 1982, em Israel, que foi relatado em 1985 no British Journal of Ophthalmology. Nesse caso, uma menina nasceu sete semanas mais cedo sem nariz e apenas um olho no centro do rosto. A criança, que viveu apenas 30 minutos após o nascimento, também tinham anormalidades cerebrais graves. Do mesmo modo, o ciclope do mar, é apenas produto de uma mutação.





Fotos: Pisces Fleet Sportfishing [Empresa de pesca/ecoturismo]

Em 2006, um gato nascido com um olho e sem nariz (uma condição rara chamada holoprosencefalia), criou uma polêmica nas organizações de notícias e blogueiros, que tentavam determinar se as fotos bizarras do animal eram reais. Um veterinário confirmou a condição do gatinho. "Cy", como o gato era conhecido, viveu apenas um dia. Os restos foram vendidos para o museu criacionista Lost World Museum.

Em meio à evolução das montagens de imagens, filmes e o tão famoso photoshop, fica difícil acreditar se de fato tal bicho seja real. Porém, o tubarão ciclope foi encontrado na barriga de uma mãe grávida de tubarão -escuro apanhado por um pescador comercial no Golfo da Califórnia. Os pesquisadores examinaram a criatura preservada e descobriram que seu único olho é feito de tecido óptico funcional. É improvável, porém, que a criatura mal formada teria sobrevivido fora do útero.

De acordo com Seth Romans, um porta-voz da Fleet, Galvan Magana e seus colegas irão publicar um artigo científico sobre a descoberta.

Romans disse ao LiveScience que o pescador que pegou o estranho tubarão está "espantado e fascinado" pela atenção que sua captura tem atraído. [Leia mais no LiveScience].

Poluição faz peixes machos se tornarem feminizados, diz estudo

Navegando por alguns sites de notícias científicas encontrei algo muito interessante, e hilário, uma notícia no Science Daily com o título "More male fish 'feminized' by polluition on Basque coast", noticiando que cada vez mais peixes machos estão sofrendo alterações pela poluição na costa de Basque, tornando-se feminizados, ou, afeminados.

Segundo o site, os pesquisadores do grupo de Biologia Celular em Pesquisas Toxicológicas descobriram a feminização em vários peixes que ocorrem nos estuários de Gernika, Arriluze, Santurtzi, Plentzia, Ondarroa, Deba e Pasaia. Os primeiros casos foram registrados numa pesquisa de 2007-2008, onde eles foram detectados em Urdaibai, porém, ao longo dos anos eles observaram a ocorrência dos peixes feminizados em vários outros lugares em estuários diferentes.

De acordo com os pesquisadores, diversos poluentes atuam como estrogênios, sendo responsáveis por este fenômeno, entre outras mudanças, causando o aparecimento de ovócitos em peixes machos.

Os pesquisadores puderam observar este fenômeno estudando a espécie Chelon labrosus (tainha-lisa) que foram amostradas em 6 regiões diferentes, que são os estuários citados logo acima. Além de analisarem as gônadas dos indivíduos, eles também realizaram diversos estudos genéticos por meio de marcadores moleculares.


Indivíduos da espécie estudada (Chelon labrosus)

De acordo com Miren P. Cajaraville (diretor do grupo de pesquisa) "as desregulações endócrinas é um fenômeno que tem se espalhado em todos os nossos estuários, de tal forma que os peixes afetados também tem sido encontrados em outros países. Nós temos um problema com os poluentes".

Alguns poluentes emergentes são de fato responsáveis pelas alterações e desregulações em um grupo de compostos químicos endócrinos, causando a feminização dos peixes, como os pesquisadores observaram. Quimicamente, cada um possui a sua característica específica, porém, todos possuem efeitos similares: eles atuam regulando a quantidade de hormônios que é produzida e ainda destroem os excessos de hormônios femininos e masculinos no organismo. 

Os poluentes acabam afetando este importante controle hormonal dos peixes, de tal forma que machos possuem muito mais hormônios femininos que o nível normal (sim, machos também possuem hormônios femininos, mas em pequenas quantidades, assim como o inverso, e isso vale para a maioria das espécies animais).

O pesquisador Miren disse "nossa descoberta é significante porque ela possibilita o conhecimento de como esses poluentes tem sido espalhados pelos nossos estuários e rios, e, quais efeitos eles estão causando. Deste modo, nós podemos adotar métodos de prever a contaminação de nossas águas, através de regulamentações legais que o governo possui."

10 tubarões incríveis e ferozes

Os tubarões são animais ferozes por natureza e muitas vezes atacam seres humanos. Porém, por mais que matem pessoas ou as deixem feridas gravemente, os tubarões não possuem culpa alguma, afinal, somos nós que destruímos as suas presas e ainda estamos invadindo o seu habitat.

Nós conhecemos (a sociedade de modo geral) pouquíssimas espécies de tubarões, mas, por incrível que pareça, existem mais de 370 espécies de tubarões em todo o planeta! Só aqui no Brasil são encontradas cerca de 90 espécies. São muitas, não?

Dentre estas diversas espécies, algumas são reconhecidas por seus comportamentos agressivos e pelo modo como atacam ferozmente suas presas e as matam numa velocidade incrível. Assim como são ferozes, eu os acho animais belíssimos e incríveis, mas, não sei se me arriscaria num mergulho tão próximo como muitos biólogos e fotógrafos/cinegrafistas fazem! E você?

TUBARÃO-AZUL
Tubarão-azul (Prionace glauca) Foto: Bruce Rasner / SeaPics.com

Os tubarões-azuis podem comer muito! Seu apetite parece insaciável. Além de anchovas, eles costumam devorar cavalas, sardinhas, aves, focas, tartarugas e lulas. Também podem atacar pequenos barcos de pesca e mergulhadores, porém, só o fazem quando ameaçados.

TUBARÃO-LIMÃO
Tubarão-limão (Negaprion brevirostris) Foto: James D. Watt / SeaPics.com

Esta espécie pode predar outras espécies de tubarões e ainda aves marinhas grandes, crustáceos, diversas espécies de peixes, arraias e lulas. Não costuma ser agressivo com humanos, mas quando ameaçado, este grande peixe amarelo não hesita em atacar.

TUBARÃO-MARTELO
Tubarão-martelo (Sphyrna lewini) Foto: Alexander Safonov/Getty

O seu nome ‘martelo’ se dá por conta de sua cabeça num formato curioso, que possui duas grandes extensões planas e laterais. Estas modificações nesta espécie permitem que os indivíduos girem com mais rapidez que outros tubarões. Mede até 4,2 metros de comprimento. Alimenta-se de animais escondidos na areia no fundo do mar.

TUBARÃO-CAÇÃO-MANGONA
Tubarão-cação-mangona (Carcharias taurus) Foto: Peter Pinnock/Getty

O cação-mangona ou tubarão-touro é uma espécie que também é conhecida no litoral de São Paulo como tubarão-cinza. Ele tem um aspecto bastante ameaçador, com fileiras de dentes bem expostos. Pode atingir até 3,2 metros de comprimento. Esta espécie também se alimenta de outros tubarões, além de caranguejos, raias, peixes, polvos, lagostas e lulas.

TUBARÃO-CINZENTO-DOS-RECIFES
Tubarão-cinzento-dos-recifes (Carcharhinus amblyrhynchos) Foto: Josh Friedman

Estes tubarões são ativos durante o dia, mas se alimentam à noite de peixes dos corais, polvos e diversos crustáceos. É uma espécie social que costuma ser bastante curiosa – uma curiosidade já atestada por mergulhadores. Mas quando se sente ameaçado, ele dobra seu corpo até formar um “S”.

TUBARÃO-ANEQUIM
Tubarão-anequim (Isurus oxyrinchus) Foto: Mark Conlin / SeaPics.com

A forma de seus corpos lembra a de um torpedo, conhecidos também como tubarões-mako, e são os tubarões mais velozes do mundo. São predadores agressivos, e, em muitos casos, pescadores relataram que já foram atacados por esta espécie.

TUBARÃO-GALHA-BRANCA
Tubarão-galha-branca (Carcharhinus longimanus) Foto: C & M Fallows

O tubarão galha-branca também conhecido como galha-branca-oceânico é uma espécie que vive em zonas tropicais de águas quentes, podendo chegar até 4 metros de comprimento e pesar cerca de 200 kg. É uma das espécies de tubarão que mais atacam humanos por engano.

TUBARÃO-TIGRE
Tubarão-tigre (Galeocerdo cuvier) Foto: Amanda Cotton

O tubarão-tigre é uma espécie muito comum em diferentes regiões tropicais, encontradas comumente no Nordeste do Brasil. Seu nome se dá por conta das listras escuras que os indivíduos jovens possuem, mas, na medida que crescem, elas vão sumindo. Podem atingir até 6 metros de comprimento. Se alimentam de tartarugas, peixes, lulas e polvos. É muito agressivo mas também muito curioso com os mergulhadores. 

TUBARÃO-BRANCO
Tubarão-branco (Carcharodon carcharias) Foto: Masterfile Corporation/DCL

O tubarão-branco é a espécie mais conhecida dentre os tubarões, reconhecida comumente pela sua agressividade e grande porte, e claro, por ser o tubarão mais perigoso também! É o maior peixe predador do planeta e pode passar dos 7 metros de comprimento e pesar mais de 1 tonelada! Se alimentam basicamente de pinípedes (focas, leões-marinhos e morsas) e ocorrem comumente onde suas populações de presas são mais abundantes.

TUBARÃO-CABEÇA-CHATA
Tubarão-cabeça-chata (Carcharhinus leucas) Foto: Corbis

O tubrão cabeça-chata pode viver tanto no oceano como também em água doce. Mede de 2,5 a até 4 metros de comprimento e seus dentes de formas diferenciadas, possibilitam um ataque preciso em suas presas, matando-as ou arrancando parte delas com precisão. É por isso que muitas vezes seus ataques em humanos causam muitos danos, mesmo com uma pequena mordida. Eles podem subir o rio Amazonas até Manaus, um fato conhecido cientificamente para algumas regiões da África também.

Como os salmões nadam e se orientam?

Apesar de não ter experiência de vida, um jovem salmão no noroeste do Pacífico de alguma forma viaja centenas ou milhares de quilômetros de seu local nativo para se alimentar e crescer no oceano. 
Você sabia? Quando desovam, os salmões morrem logo em seguida. As espécies que fazem isso são chamadas de semélparas (realizam somente uma reprodução ao longo da vida).
Enquanto a maioria das espécies de salmão consegue "sentir" cheiros para se orientar, voltar para casa e desovar, o salmão Chinook (Oncorhynchus tshawytscha) tem um senso inato de direção que funciona como um GPS. 

Os cientistas agora suspeitam que, sem o conhecimento prévio, os salmões usam o campo magnético da Terra para encontrar o habitat com melhores condições e recursos no oceano. Para fazer a descoberta, os pesquisadores colocaram juvenis criados em piscicultura dentro de um balde e os expôs a campos magnéticos gerados artificialmente. Quando o ângulo e a intensidade do campo combinava com a parte mais ao sul (mais distante) da sua área de ocorrência no oceano, o peixe se orientava para ir em direção oposta: norte ou nordeste. 

O campo magnético na faixa setentrional levou os peixes em direção ao sul ou sudoeste. Orientando-se dentro desses dois extremos, o salmão pode encontrar as áreas de alimentação de seus ancestrais, conforme foi publicado no artigo "An Inherited Magnetic Map Guides Ocean Navigation in Juvenile Pacific Salmon" na revista Current Biology. 

Como as tartarugas marinhas usam um mapa magnético semelhante para se orientarem, os pesquisadores especulam que muitos animais marinhos migratórios, como as enguias, tubarões e focas, também podem navegar usando campos magnéticos.

Fonte: Science

15 fotos de animais marinhos interessantes

Janolus cristatus
Fotografado por Senda Jiménez (Foto)

Molusco nudibrânquio da família Proctonotidae e gênero Janolus (26 espécies). Alimenta-se de briozoários (pequenos invertebrados marinhos ou de água doce). Nota-se os tubos das glândulas digestivas (coloração marrom-avermelhada) em várias estruturas anexas ao sistema digestório espalhadas pelo corpo do animal.


Serpula vermicularis
Fotografado por Lorenzo Angelo Terraneo (Foto)

Espécie poliqueta (classe Polychaeta) pertencente a ordem Sabellida, família Serpulidae e gênero Serpula. Os poliquetas são "vermes" segmentados incluídos no filo Anellida que compõem parte da macrofauna bêntica de ambientes marinhos, onde ficam associados aos mais variados tipos de substratos. Existem cerca de 12.000 espécies de poliquetas catalogadas.


Lophius piscatorius
Fotografado por Maque Casanovas (Foto)

Este peixe faz parte da classe dos Lophiiformes. Você pode saber tudo sobre essa classe de peixes acessando o post "Peixes pescadores - Ordem Lophiiformes". De forma geral, a característica principal destes peixes é o aparato na testa denominado "esca" que se movimenta para atrair as presas até que fiquem muito próximas da boca, atuando literalmente como uma isca, e então estes peixes as sugam numa velocidade incrível.


Serranus cabrilla
Fotografado por Henrique J. M do Nascimento (Foto)

Este peixe, da classe Perciformes, está carregando dois parasitos Isópodes, que são crustáceos marinhos mas que também podem ser terrestres ou dulcícolas. Existe ainda a pulga-do-mar, um parasito também de peixes, porém ela tem preferência pela língua! 


Anilocra physodes
Fotografado por Carlos Fernandez (Foto)

Falando em Isópodes, vemos esta espécie que também é um parasita de peixes, porém com características mais diferentes, como por exemplo os grandes olhos pretos, diferindo dos parasitos da figura anterior.


Stenorhynchus seticornis
Fotografado por Beth Watsom (Foto)

Caranguejo-aranha ou caranguejo de seta (Arrow crab) se alimenta de matéria orgânica morta no substrato do oceano e também de pequenos peixes. Possui longos pares de pernas que lhe confere grande mobilidade e rapidez na movimentação.


Urticina felina
Fotografado por James Stephen (Foto)

Esta espécie de anêmona pertence a ordem Anthozoa e classe Actiniaria. É a espécie mais conhecida deste gênero, vive em águas frias encontrada somente ao longo das costas das ilhas britânicas no norte da Europa.


Tripterygion melanurus
Fotografado por Tamsyn Mann (Foto)

Conhecido também como "pimentão menor", este peixe pertence à família Trypterigiidae, sendo endêmica do Mar Mediterrâneo e Mar Negro, encontrado principalmente em locais como fendas e cavernas escuras.


Psolus phantapus
Fotografado por James Stephen (Foto)

Por mais incrível que pareça, este organismo é um pepino-do-mar, também chamado de pepino-do-mar-de-listras-rosas, pertencente a família Psolidae, encontrados principalmente em fendas e sob pedras, com aspecto geral semelhante a uma pequena árvore sem folhas.


Rhinopias eschmeyeri
Fotografado por Tamsyn Mann (Foto)

Este peixe pertence à uma ordem diferente dos outros acima, pertence a ordem Scorpaeniformes e família Scorpaenidae, conhecido também como peixe-escorpião, nome comum para os peixes deste gênero.


Pagurus prideaux
Fotografado por Susana Martins (Foto)

Pagurus prideaux é uma espécie de caranguejo ermitão da família Paguridae . Ele é encontrado em águas rasas ao longo da costa noroeste da Europa e geralmente vive em simbiose com o a anêmona do mar Adamsia palliata.



Parablennius pilicornis
Fotografado por Susana Martins (Foto)

Este peixe marinho é comum no litoral do Brasil e possui ampla distribuição, sendo considerado o primeiro, dentre os vertebrados, a colonizar substratos artificiais. São muito utilizados em laboratórios para pesquisas e testes toxicológicos.


Astrospartus mediterraneus
Fotografado por João Pedro Silva (Foto)

Esta espécie de estrela-do-mar é também conhecida como estrela-gorgônia e pertence a familia Gorgonocephalidae. Possui o curioso habito de enrolar os seus "ramos" durante o dia, estes que por sua vez se originam à partir dos 5 tentáculos principais.


Lysmata grabhami
Fotografado por Susana Martins (Foto)

Camarão muito utilizado em aquários para ornamentação, ocorrente na costa do Caribe. Suas "antenas" atraem alguns peixes e quando eles se aproximam, ele se alimenta removendo pequenos parasitas da pele dos mesmos.


Scyllarides latus
Fotografado por Susana Martins (Foto)

Este crustáceo é conhecido como cavaco e muito comercializado por ter uma carne considerada de excelente qualidade, o que faz desta espécie ameaçada de extinção por estar se tornando cada vez mais rara. Podem chegar até os 45 cm de comprimento, não possuem pinças e se alimentam de pequenos moluscos.

Espero que tenham gostado destas imagens!
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