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Mulher de 24 anos descobriu que não possui cerebelo

Uma mulher atingiu 24 anos sem perceber que não possuía parte de seu cérebro! Esse caso destaca o quão adaptado à sobrevivência esse órgão pode ser. A descoberta foi feita quando a mulher foi internada no Hospital Geral da Área de Comando Militar de Jinan, situado na província de Shandong, China, quando sofria de tonturas e náuseas. Ela informou ao médico que costuma enfrentar problemas para andar ao longo de sua vida e sua mãe relatou que ela não conseguia andar até os 7 anos de idade além de só conseguir atingir a fala inteligível as 6 anos. 

Os médicos realizaram um escaneamento cerebral e imediatamente identificaram o problema: seu cerebelo inteiro estava faltando! O espaço onde ele deveria estar situado estava vazio, preenchido apenas por fluido cefalorraquidiano, que amortece o cérebro e fornece defesa contra doenças. O cerebelo – algumas vezes conhecido como “pequeno cérebro” – é localizado abaixo dos dois hemisférios cerebrais. Ele aparenta ser distinto do restante do cérebro por ser constituído de dobras menores e mais compactas de tecido, representando cerca de 10% do total do volume do cérebro, apesar de conter 50% dos neurônios totais.

Embora esse não seja um caso inédito onde uma pessoa possui parte de seu cérebro ausente, seja por motivos congênitos ou devido a algum procedimento cirúrgico, a mulher faz parte de um grupo seleto de 9 pessoas que são conhecidas por terem vivido até a fase adulta sem o cerebelo. Uma descrição detalhada de como essa doença afeta a vida das pessoas é praticamente inexistente, devido a maioria das pessoas que a possuem morrerem muito cedo e o problema só ser descoberto na autópsia, conforme afirmam médicos do hospital chinês.
  Na primeira imagem, um "buraco" no lugar
  onde o cerebelo deveria estar.

O principal papel do cerebelo é controlar os movimentos voluntários e o equilíbrio, além de estar envolvido na nossa capacidade de aprender ações motoras e a fala. Problemas no cerebelo podem culminar em um grave comprometimento mental, distúrbios motores, epilepsia ou acúmulo de líquido no cérebro potencialmente fatal. Surpreendentemente, nessa mulher, a ausência de cerebelo resultou apenas em uma ligeira deficiência motora e problemas leves de fala, que comprometem sua pronúncia tornando-lhe de um pouco lenta a moderada, efeitos que os médicos consideram “muito menores do que o esperado”. O caso evidencia a notável plasticidade do cérebro. 

Casos como esse são raros e interessantes para entender como o cérebro funciona análogo a um circuito que compensa as peças em falta”, afirma Mario Manto, pesquisador da Universidade Livre de Bruxelas, Bélgica, que desenvolve estudos sobre cerebelopatias. Os médicos da paciente sugerem que a função cerebelar normal pode ter sido assumida pelo córtex e futuramente, escaneamentos cerebrais poderão revelar a resposta.

Fonte: Woman of 24 found to have no cerebellum in her brain. Disponível em: http://www.newscientist.com/.


Fisiologia animal: adaptação a ambientes frios

Nós sabemos que os animais possuem as mais variadas adaptações e isso varia de acordo com os ambientes que eles vivem. Devemos sempre lembrar: não é o mais forte que sobrevive. Quem sobrevive é sempre o indivíduo que melhor está adaptado ao ambiente - o que possui uma série de características fenotípicas e genéticas que propiciam a sobrevivência e o sucesso reprodutivo. Para mais detalhes sobre seleção natural e evolução, veja os posts:


Os animais que vivem no frio possuem diversas adaptações muito interessantes. Os climas que propiciam períodos de frio prolongado e intenso promovem nos animais três tipos de respostas: (1) os animais podem se esquivar do frio, podendo simplesmente se deslocar para outras regiões à medida que a temperatura diminui, indo em direção às regiões mais quentes; (2) podem estar adaptados de tal forma que toleram o frio ou (3) podem viver ativamente e se reproduzir em períodos mais quentes e no inverno iniciam o período de repouso e inatividade, conhecido como hibernação.

Pequeno mamífero hibernando.


POIQUILOTÉRMICOS EM AMBIENTES FRIOS
Em diversos experimentos, quando organismos invertebrados e vertebrados poiquilotérmicos foram resfriados, foi possível observar alterações fisiológicas que os possibilitaram funcionarem mais eficazmente em temperaturas mais baixas. Esse processo se chama aclimatação, e, quando ocorre em ambiente natural, se chama aclimatização. Conforme cai a temperatura, o animal eventualmente enfrenta um grande problema: evitar o congelamento. Eles podem fazer isso através de dois modos. O primeiro é a capacidade de diminuir o ponto de congelamento dos fluídos corporais através da adição de soluto nesses fluídos (no sangue, hemolinfa, etc). O segundo modo é a capacidade de superesfriar.

Sapo-da-madeira hibernando.

Diminuindo o ponto de congelamento dos fluídos corporais
Essa característica é muito evidenciada em insetos. Muitos insetos baixam o ponto de congelamento de seus fluídos através da secreção de uma substância muito importante - glicerol. Um exemplo muito conhecido no reino animal é um parasita (Bracon cephi) da mosca-do-trigo encontrada no Canadá. As larvas do parasita podem sobreviver a uma temperatura muito baixa de até -40º C. Isso ocorre pelo fato das concentrações do glicerol aumentarem na hemolinfa ("sangue" dos insetos) à medida que a temperatura é reduzida. A concentração de hemolinfa pode chegar a 5M, e nesse ponto o ponto de congelamento baixa para -17,5 ºC. O uso do glicerol utilizado pelos insetos como "anticongelativo" pode ser um precursor utilizado por nós, por exemplo, em sistemas de refrigeração dos carros durante o inverno.

Além de diminuir o ponto de congelamento dos fluídos corporais, o glicerol tende ainda a proteger os tecidos dos efeitos lesivos do congelamento, caso de fato o organismo chegue a congelar. Essa proteção se dá pela viscosidade do glicerol, impedindo que o aumento na concentração dos eletrólitos resultante da formação de gelo, atinja facilmente níveis tóxicos. 

Superesfriamento
O superesfriamento ocorre sob condições extremamente favoráveis, onde a água comum pode ser progressivamente esfriada até -41ºC, antes de serem formados cristais de gelo. As moléculas da água tendem a se tornarem cada vez mais semelhantes ao gelo conforme a temperatura diminui abaixo de 0º C: as moléculas individuais movem-se cada vez mais perto e mais lentamente. Posteriormente, forma-se um núcleo de cristal de gelo, e esse por sua vez tende a crescer até que todas moléculas de água congelem. Por outro lado, o gelo também pode formar nos organismos através de uma 'semente', uma substância estranha que congela mais rápido que os líquidos do organismo.

Superesfriamento em peixes
Os peixes não hibernam - eles não podem fugir do frio intenso, continuando ativos mesmo quando estão superesfriados. O ponto de congelamento de alguns peixes das regiões mais frias do planeta situa-se entorno de -0,9 a -1,0º C. Porém, caso a água esteja numa temperatura menor que -3º C, o peixe pode se congelar, ou ainda, pode tocar em alguns cristais de gelo e congelar imediatamente. Porém, o superesfriamento não explica a capacidade de alguns peixes ósseos nadarem abaixo de placas gigantes de gelos - em lagos congelados, por exemplo - alguns outros fatores estão envolvidos. Por exemplo, em alguns peixes foi possível observar que de acordo com a diminuição da temperatura da água ocorria o aumento da osmolaridade do plasma sanguíneo. O ponto de congelamento do plasma desses peixes é muito próximo ao ponto do congelamento da água onde eles estão, isso também dificulta a morte desses animais por congelamento. O plasma tende a aumentar a sua osmolaridade à medida que o cloreto é adicionado no sangue, e o mais interessante é que nos peixes não foi encontrado nenhum tipo de glicerol, como é encontrado nos insetos.

Serpentes em estado de dormência numa caverna.

Dormência em Poiquilotérmicos
Muitos organismos poiquilotérmicos passam o inverno em estado de dormência com a taxa metabólica reduzida e com a temperatura corporal muito próxima à do ambiente. Esse estado não pode ser comparado à hibernação por dois grandes motivos: em primeiro, porque o despertar não é possível até que o animal esteja aquecido 'passivamente', ou seja, pelo próprio calor do ambiente, e, segundo, porque não existem "mecanismos de segurança" como veremos logo abaixo nos mamíferos hibernantes, que aumentam o seu metabolismo de acordo com a redução da temperatura ambiente ou acordam se a temperatura corporal se aproximar de seu ponto de congelamento. Nessas condições, os poiquilotérmicos congelam.

HOMEOTÉRMICOS NÃO-HIBERNANTES
Os homeotérmicos mantem-se ativos no inverno, ou, pelo menos em determinados períodos, por conta da capacidade que possuem em reter o calor corporal através de seus isolantes térmicos naturais. Porém, é muito importante salientar que embora a temperatura interna seja mantida, a temperatura das extremidades, como pés, dedos, orelhas, são muito menores. O organismo também apresenta algumas adaptações notáveis em função dessas diferenças de temperaturas corpóreas, como por exemplo, os nervos - eles são mais resistentes ao frio nas extremidades do corpo e menos resistente no interior.

Em certas gaivotas aclimatadas (em condições ideais em laboratório) o nervo tibial, que vai da medula espinhal até os músculos das patas, apresenta diferenças na capacidade de conduzir impulsos nervosos que varia em diferentes locais do corpo quando no inverno. Por exemplo, a temperaturas de 11,7º C, o nervo é bloqueado, sendo que este é mantido numa região relativamente quente encoberto pelas penas, enquanto que o nervo na parte nua inferior da cauda para de conduzir impulsos numa temperatura de 2,8º C. Logo, uma única célula nervosa apresenta diferentes sensibilidades à temperatura.

Raposa-do-ártico (não-hibernante)

Maior espécie de gaivota do ártico (não-hibernante).

Outros fatores isolantes podem ocorrer nos animais homeotérmicos de regiões frias, como por exemplo a gordura nos tecidos expostos ao frio. A gordura da parte distal da pata de animais árticos, como o caribou, apresenta um ponto de fusão de 30º C mais baixo que a gordura do interior de seu corpo, enquanto a gordura dos cascos funde-se a 0º C ou menos, permitindo que os mesmos permaneçam flexíveis e maleáveis nessas temperaturas.

Os mamíferos podem diminuir a perda de calor pela superfície corporal através da camada de gordura subcutânea e também através dos pelos, que captam grande quantidade de ar. Em fisiologia, chamamos de L a camada que atua como isolante térmico nos animais. Nesse caso, quanto maior o L, ou seja, a camada de gordura e a camada de pelos, mais isolado o animal tende a ser. A camada de pelos é importante porque ela proporciona a retenção de ar e, nesse caso, o ar tende a ficar mais aquecido entre os pelos do que o ar do ambiente, funcionando também como uma importante barreira isolante, dificultando ainda mais a perda de calor nesses animais. É por isso que os povos nativos dessas regiões usam as peles dos grandes mamíferos.

Um nome mais apropriado para a camada L é a unidade "clo", que vem da semelhança do isolamento térmico dos animais com o vestuário humano - quanto maior a quantidade de roupas, mais isolados ficamos, do mesmo modo, quanto maior a quantidade de gordura e pelos nos animais, mais isolados eles ficam. No caso, a raposa branca do ártico é um dos animais que possuem o maior isolamento térmico do reino animal utilizando essa unidade clo. A raposa branca tem um isolamento de aproximadamente 9 unidades clo enquanto que um musaranho ou doninha possuem de 1 a 2 unidades clo de isolamento.

É importante salientar que existe um tipo especial de gordura em mamíferos, muito mais comum nas espécies que enfrentam períodos de inverno rigorosos - a gordura marrom. Todos nós, quando bebês, até determinada idade possuímos gordura marrom. Essa gordura atua como um 'combustível' para produção de calor corporal. À medida que crescemos, a gordura marrom some. Porém, em mamíferos de regiões frias essa gordura é constantemente produzida e pouco antes da hibernação ela é produzida ainda mais, garantindo uma fonte extra de produção de calor corporal.

Figura ilustrando a disposição da gordura marrom em um bebê.

Alguns pesquisadores conseguiram transformar, em ratos, a gordura branca (gordura ruim, que fixa no organismo e não é facilmente consumida) em gordura marrom (que é facilmente consumida por ter função principal de gerar calor corporal). Eles querem fazer as pessoas emagrecerem ser realizar atividades físicas, convertendo a "gordura ruim" em "gordura boa" - veja detalhes no post Uma nova forma de queimar calorias.

Endotérmicos: Respostas Metabólicas ao Frio
Nos animais árticos, quando o isolamento é muito eficiente, não há necessidade da temperatura corporal aumentar - só aumenta quando a temperatura ambiental cai a níveis muito baixos. Ou seja, a temperatura corporal dos animais de regiões frias tende sempre a ficar próxima da temperatura corporal basal, que é aquela em que o organismo não sofre danos por ação do frio e ainda consegue reter certa quantidade de calor necessário para a realização das atividades metabólicas. Por isso, só quando a temperatura ambiental diminui ainda mais e ultrapassa a tolerância do animal, a produção de calor endógena inicia, elevando a temperatura corpórea, suprindo a perda de calor.

Por exemplo, a raposa-do-ártico que vive em locais com temperatura de até -40º C, necessita de apenas um pequeno aumento na taxa metabólica para sobreviver nas condições mais frígidas da terra. Por esta razão, elas podem dormir na neve, no relento, em uma temperatura de -80º C sem ter qualquer diminuição da temperatura corporal.

HIBERNAÇÃO EM MAMÍFEROS
A hibernação pode ser definida como um fenômeno periódico, no qual a temperatura corporal cai a um nível baixo, aproximando-se da temperatura ambiente. Nesse caso, a frequência cardíaca, a taxa metabólica e diversas outras funções fisiológicas são reduzidas a níveis mínimos. Ainda na hibernação, o despertar espontâneo pode ocorrer à qualquer momento. As ordens de mamíferos que mais praticam a hibernação são: Rodentia, Insectivora e Chiroptera.

Essa é uma importante adaptação que possibilita aos animais suportarem períodos de stress ambiental, que envolve principalmente a falta de alimento. No verão, os hibernantes são homeotermos, ou seja, a sua temperatura corporal independe da temperatura ambiental. Porém, no inverno, estes se tornam virtualmente poiquilotérmicos. Sabe porque? Simples! A perda de calor é tão constante e rápida que o organismo teria de produzir muito calor corporal em um curto período de tempo. Só que isso é impossível devido à várias limitações fisiológicas dos homeotermos - a quantidade de calor produzida leva certo tempo e depende da quantidade de energia que o organismo possui e da velocidade das reações metabólicas (que tende a diminuir quanto maior é a perda de calor pela redução da temperatura ambiental). Ou seja, ao invés de "lutar" contra a perda de calor corporal e gastar muita energia "á toa", o organismo tem a hibernação como uma importante adaptação que garante a sua sobrevivência - a sua temperatura corporal reduz tanto que se aproxima da temperatura ambiental e as atividades metabólicas baixas são mantidas através de toda energia armazenada em forma de gordura obtida pouco antes do período de inverno chegar.

Urso-negro hibernando.

Durante a hibernação a frequência cardíaca pode reduzir a 5-6 batimentos por segundo, mas, algumas outras adaptações importantes garantem que o sangue não coagule ou congele e circule ainda por todo o corpo. Dentre essas adaptações importantes, podemos destacar a vasoconstrição, que é uma contração dos vasos, aumentando a distância deles da superfície corporal, reduzindo a perda de calor. Essa contração cria uma grande pressão nos vasos e, associada com a maior viscosidade do sangue, permite a circulação total em todo o organismo. A frequência respiratória pode reduzir a uma respiração por minuto e as funções renais diminuem bastante. Muitas glândulas, como a tireóide, adrenais, pituitária e gônodas diminuem ou até param suas atividades.


Entrada em Hibernação: Existem dois modos de entrar em hibernação: algumas espécies podem entrar em hibernação gradualmente, ao longo de vários dias, como o esquilo terrestre (Citellus beecheyi). Ao longo das noites a temperatura tende a cair várias vezes, até que em determinado momento a temperatura cai num estado que não é mais reversível, e então, o animal entra em hibernação. Uma outra forma é a conhecida hibernação única, como vemos em ursos, anuros, morcegos, e outras espécies, onde após determinados dias o animal se locomove para um local seguro e isolado do frio, e, inicia a hibernação que pode se estender por todo o inverno.

Os mecanismos que desencadeiam a hibernação ainda não são muito conhecidos. Porém, há três fatores principais que são considerados pelos cientistas como responsáveis por desencadear a hibernação: (1) a temperatura ambiente e suas variações, (2) o ciclo de luz e (3) a quantidade de comida armazenada no corpo.

Algumas equidinas e diversas espécies de mamíferos também
 podem hibernar nas regiões tropicais.

Despertando da Hibernação: Ao contrário do que muitos pensam, muitas espécies podem sair de seus abrigos várias vezes ao longo da hibernação. Alguns animais tendem a comer um pouco de comida que guardaram em suas tocas, outros tendem a fazer outras atividades. Quando a temperatura ambiente faz com que a temperatura corporal se aproxime da temperatura corporal basal, o organismo pode também acordar da hibernação.

Uma série de fatores contribuem com o despertar da hibernação: o aumento da respiração, o aumento súbito na produção de calor corporal, o aumento da atividade cardíaca e a redução das reservas de gordura marrom. Geralmente o despertar definitivo está associado com as grandes mudanças que ocorreram gradualmente no ambiente, como por exemplo o aumento gradual da temperatura ambiental que ao mesmo tempo propicia a redução de perda de calor corporal. Quando iniciado o despertar, mudanças começam a acontecer: o calor produzido é distribuído em turnos para determinados órgãos. O coração, pulmão e cérebro e outras estruturas na cabeça e tórax são aquecidos antes do abdome e extremidades. Essa coordenação na circulação ocorre através das fibras responsáveis pela vasoconstrição dos vasos sanguíneos. No início do despertar pode haver diferenças de até 20º C entre o tórax e o abdome.



Torpor Diário
Além da hibernação sazonal, certas espécies apresentam um ciclo diário de intensa atividade seguido de um profundo torpor. Esse comportamento parece ser característico de aves e pequenos mamíferos que possuem taxas metabólicas muito elevadas. Essa situação é parcialmente crítica em pequenos morcegos insetívoros (Microchiroptera) e nós beija-flores (Apodiformes), os quais, devido aos seus hábitos aéreos, não podem carregar grandes provisões de energia e são ainda limitados por seus hábitos alimentares (beija-flores, de dia, e morcegos insetívoros, de noite).

Poluição faz peixes machos se tornarem feminizados, diz estudo

Navegando por alguns sites de notícias científicas encontrei algo muito interessante, e hilário, uma notícia no Science Daily com o título "More male fish 'feminized' by polluition on Basque coast", noticiando que cada vez mais peixes machos estão sofrendo alterações pela poluição na costa de Basque, tornando-se feminizados, ou, afeminados.

Segundo o site, os pesquisadores do grupo de Biologia Celular em Pesquisas Toxicológicas descobriram a feminização em vários peixes que ocorrem nos estuários de Gernika, Arriluze, Santurtzi, Plentzia, Ondarroa, Deba e Pasaia. Os primeiros casos foram registrados numa pesquisa de 2007-2008, onde eles foram detectados em Urdaibai, porém, ao longo dos anos eles observaram a ocorrência dos peixes feminizados em vários outros lugares em estuários diferentes.

De acordo com os pesquisadores, diversos poluentes atuam como estrogênios, sendo responsáveis por este fenômeno, entre outras mudanças, causando o aparecimento de ovócitos em peixes machos.

Os pesquisadores puderam observar este fenômeno estudando a espécie Chelon labrosus (tainha-lisa) que foram amostradas em 6 regiões diferentes, que são os estuários citados logo acima. Além de analisarem as gônadas dos indivíduos, eles também realizaram diversos estudos genéticos por meio de marcadores moleculares.


Indivíduos da espécie estudada (Chelon labrosus)

De acordo com Miren P. Cajaraville (diretor do grupo de pesquisa) "as desregulações endócrinas é um fenômeno que tem se espalhado em todos os nossos estuários, de tal forma que os peixes afetados também tem sido encontrados em outros países. Nós temos um problema com os poluentes".

Alguns poluentes emergentes são de fato responsáveis pelas alterações e desregulações em um grupo de compostos químicos endócrinos, causando a feminização dos peixes, como os pesquisadores observaram. Quimicamente, cada um possui a sua característica específica, porém, todos possuem efeitos similares: eles atuam regulando a quantidade de hormônios que é produzida e ainda destroem os excessos de hormônios femininos e masculinos no organismo. 

Os poluentes acabam afetando este importante controle hormonal dos peixes, de tal forma que machos possuem muito mais hormônios femininos que o nível normal (sim, machos também possuem hormônios femininos, mas em pequenas quantidades, assim como o inverso, e isso vale para a maioria das espécies animais).

O pesquisador Miren disse "nossa descoberta é significante porque ela possibilita o conhecimento de como esses poluentes tem sido espalhados pelos nossos estuários e rios, e, quais efeitos eles estão causando. Deste modo, nós podemos adotar métodos de prever a contaminação de nossas águas, através de regulamentações legais que o governo possui."

Porque alguns organismos congelam mas não morrem?

Por incrível que pareça, na natureza centenas de espécies podem literalmente congelar e ainda sobreviver aos mais rigorosos invernos que elas experimentam.

Dentre as mais variadas espécies que possuem esta grandiosa adaptação, estão inclusos os insetos e diversos outros invertebrados terrestres, bem como ainda várias espécies de serpentes e também algumas espécies de anfíbios anuros.

Mas, como é possível um organismo congelar e não morrer? Ou melhor, quais mecanismos possibilitam o congelamento e posterior descongelamento, sem que o mesmo morra?


Em temperaturas muito elevadas os organismos podem rapidamente morrer. Isso ocorre porque, com o aumento da temperatura corporal, o animal não consegue transpirar ou perder o calor absorvido de forma eficiente, acumulando calor em seu corpo, fazendo com que as suas proteínas e as diversas ligações entre elas se rompam, o que posteriormente leva à morte do organismo. Nesse caso, cabe ressaltar que cada organismo possui uma tolerância específica a determinadas temperaturas e apresentam variações nessas tolerâncias. O que é considerado "extremo" para uma espécie, pode não ser para outra. O polo norte é um ambiente extremo para uma pomba, mas não o é para um pinguim. Devemos ter muito cuidado com estas palavras emotivas, pois na ecologia, nada é generalizado.

Pois bem, se sob uma temperatura elevada o organismo precisa perder calor de forma muito rápida, automaticamente pensamos que o inverso deve ocorrer nas espécies que ocorrem em regiões com menores temperaturas, ou seja, para ela não morrer, ela precisa acumular calor ao invés de perdê-lo. Porém, é impossível obter calor de um local onde praticamente todos os componente ambientais estão com a temperatura igual ou até mesmo inferior à temperatura ambiental. Nesse caso, os organismos que evoluíram nesses ambientes, apresentaram uma série de modificações ao longo dos processos evolutivos, onde, por meio da seleção natural, várias características específicas foram selecionadas, permitindo então a sobrevivência dos mesmos. Alguns organismos apresentaram adaptações capazes de proporcionar a retenção de calor corporal, evitando assim a morte. Podemos por exemplo citar o caso das espécies de mamíferos como os ursos polares e raposas-do-ártico, com suas pelagens espessas que evitam a perda de calor, ou ainda, os pinguins, que acumulam grande quantidade de gordura, que também auxiliam na retenção do calor corpóreo.


Outros grupos de organismos que ocorrem nas áreas frias do planeta não apresentam este tipo de adaptação, pelo contrário, eles simplesmente congelam (ou podem sobreviver ao resfriamento)! Porém, ainda assim, existe um fenômeno muito comum que afeta diversas outras espécies, o chamado dano por resfriamento. Este fenômeno basicamente relata que em temperaturas pouco acima de 0º C algumas espécies podem ser forçadas a extensos períodos de inatividade e as membranas celulares das espécies mais sensíveis podem se romper.

Já as espécies que congelam, elas geralmente passam por um processo muito crítico, pois o gelo pode facilmente matá-las, rompendo suas células. De acordo com a diminuição da temperatura, os poiquilotérmicos (organismos que dependem da fonte de calor externa para realizar suas atividades), como os anfíbios anuros, insetos, etc, iniciam o processo de congelamento. Neste caso, se eles não sofrerem distúrbios, a água pode facilmente alcançar temperatura de até 40º C negativos, sem formar gelo no interior das células. Pois, na verdade eles não congelam completamente, apenas algumas partes de seus corpos, principalmente as regiões mais espessas e exteriores, como a pele, cascas, estruturas modificadas, etc. Muitas espécies se enterram em meio à neve e até são removidas dela cobertas por camadas de gelo, como se realmente estivessem congeladas completamente, mas não estão de fato: seus órgãos e o sangue não congelam.

No vídeo abaixo, você pode observar que o sapo-da-madeira, passa por vários ciclos de congelamentos e descongelamentos ao longo do tempo em que é monitorado. Porém, seus fluidos corporais não congelam, o que mantém o animal vivo, assim como ocorre com as várias outras espécies que experimentam estas temperaturas congelantes.


Neste outro vídeo, você vê algumas explicações com esquemas, mesmo em inglês dá para entender, como sobrevive esta espécie de anuro sob tais condições:

As espécies de animais não congelam  por conta de diversos diversos compostos constituídos de glicose (basicamente), que se encontram na corrente sanguínea dos mesmos. O composto mais comum e que evita o congelamento é o glicerol.

A espécie Bracon cephi, parasita de uma mosca do trigo canadense, foi estudada e pode-se observar o mesmo efeito do glicerol, evitando o congelamento dos indivíduos amostrados. As larvas do parasita podem sobreviver a uma prolongada exposição a temperaturas de até -40 º C. O uso de glicerol como "anticongelativo" pelos insetos é o precursor do uso de compostos similares pelo homem, para proteger os fluidos dos automóveis contra o congelamento no inverno.

Além de diminuir o ponto de congelamento dos fluídos corporais, o glicerol ajuda ainda a proteger os tecidos contra os efeitos lesivos do congelamento, caso este realmente ocorra. O glicerol possibilita a sobrevivência de diferentes espécies nestes ambientes pois ele é viscoso e isso tende a diminuir a taxa de formação de cristais de gelo, o que dificulta o congelamento.

Tópicos em Fisiologia Comparada - USP 2010 pdf


Olá amigos, estou disponibilizando um material que foi produzido pelo Curso de Inverno IB/USP do ano de 2010, com o título "Tópicos em Fisiologia Comparativa", evento que ocorreu do dia 5-23 de julho.

A Fisiologia Comparada é algo realmente encantador, principalmente para quem gosta de evolução e busca compreender com clareza a imensa explosão de vida que ocorreu muito depois do surgimento do planeta terra.

Esta disciplina não é só uma matéria que compara os animais, ela possibilita um grande entendimento acerca das espécies atuais e das já extintas, no que diz respeito aos seus aspectos fisiológicos, uma vez que cada animal de acordo com seu ambiente específico poderá apresentar adaptações diferentes. Milhares de espécies que surgiram, complexas e simples, podem ser comparadas e até mesmo relacionadas para a obtenção de respostas e até de mesmo a formação de questões acerca destas.

Se um caranguejo é possui brânquias, porque ele não respira na água, só respira o ar atmosférico?
Um peixe possui brânquias e morre se ficar fora da água. Porque?
Como uma ave consegue respirar em elevadas altitudes?
Porque um camelo pêlos grandes e densos sua muito menos do que um camelo com pelos curtos?

Essas e outras tantas questões vão surgindo por meio do entendimento de cada tipo fisiológico dos grupos de animais, e deste modo respostas vão surgindo, assim muito pode ser compreendido o e que implica consideravelmente nas questões evolutivas das espécies, isso tudo devido à esta comparação fisiológica entre os animais.

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