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Por que a botânica não é atrativa para os estudantes?


Esse é o meu primeiro post no EQB, e dentre tantos temas que poderia explorar dentro da biologia, optei por estrear com o compartilhamento de um breve relato sobre a minha participação em um evento acadêmico recente na área da biologia: o XI Congresso Latinoamericano de Botânica e também 65 Congresso Nacional de Botânica, que ocorreu em Salvador, Bahia, no período de 19 a 24 de outubro deste ano. Abordo aqui algumas reflexões que me ocorreram durante a minha participação no evento, especificamente, no ciclo de palestras intitulado “os desafios no ensino de botânica”. Tratam-se de reflexões que considero pertinentes no contexto do ensino de biologia, seja no nível básico ou superior e que julgo importante que sejam acessíveis ao maior número de acadêmicos de biologia possível, principalmente aqueles que desejam se tornar professores!


Primeiramente, aproveitando esse meio como um espaço de visibilidade entre acadêmicos de biologia residentes em várias partes do país e pertencentes a diferentes períodos em suas universidades, deixo aqui meu incentivo para que, sempre que tiverem a oportunidade, participem de congressos e eventos acadêmicos durante o curso!

Esses são momentos de concentração de especialistas e pesquisadores renomados nas áreas postas em discussão, nos quais o estudante terá a oportunidade de acompanhar as pesquisas e novidades que estão sendo desenvolvidas, seja em abrangência local, como em eventos restritos a encontros regionais ou de nível nacional ou mesmo no contexto internacional, como no caso desse evento de abrangência latinoamericana. Muitas vezes, os trabalhos apresentados nesses eventos ainda estão em vias de condução para publicação e assim você terá a oportunidade de conhecer novidades ainda “quentes” na sua área de interesse!

Já estive presente em um congresso de botânica que ocorreu em 2011, em Fortaleza, Ceará, onde tive a oportunidade de participar de um ciclo de palestras sobre o mesmo tema: o ensino de botânica no Brasil – do ensino médio a formação de docentes na educação superior. Três anos se passaram e pude constatar que os mesmos desafios foram trazidos à tona para abordagem e discussão: o ensino de botânica nas instituições de ensino raramente mobiliza o interesse dos alunos. Tudo começa, aliás, pelo fato do tema ser considerado, na maioria das vezes, como uma “pedra no sapato” pelos próprios professores.

Como bem observado pelo palestrante Minhoto (IFSP), “se as plantas não têm músculos e eu não posso levar uma planta para passear, se as plantas não são organismos interativos como os animais, então... tô fora!”. Que organismos sem graça! Mas a esmagadora justificativa para a antipatia pela botânica – consiste na notória variedade de termos específicos para designar suas estruturas e processos fisiológicos. Dessa forma, a botânica é vista como uma ciência extremamente complexa e de difícil assimilação para a aprendizagem. Soma-se isso ao déficit na formação de professores durante a educação superior, na qual as disciplinas referentes à botânica são fragmentadas e desvinculadas do contexto local (exemplo: anatomia vegetal é vista, na maioria das universidades brasileiras, como uma disciplina separada da fisiologia vegetal e muitas vezes, não há disciplinas dedicadas ao estudo de uma diversidade mais específica da flora, como a flora regional, por exemplo, o que dificulta uma visão integrativa, acurada e realista da botânica), e dessa maneira culminamos em uma receita de bolo para que essa ciência seja deixada em segundo plano e pobremente trabalhada no contexto da educação básica por esses professores.

Uma evidência direta sobre isso consiste no fato de que muitos docentes optam por iniciar o ano letivo abordando temas relativos à diversidade zoológica e apenas no último semestre (nos últimos segundos do segundo tempo), estuda-se o Reino Plantae. Mas se levarmos em consideração que somos um país megadiverso, que encantou e ainda encanta inúmeros naturalistas do mundo inteiro pela diversidade de nossa fauna e flora, por que o estudo de um de nossos maiores patrimônios biológicos não é atrativo para os estudantes?


Um dos motivos indicados durante o ciclo de palestras aponta o alto patamar da educação: a maneira como estão sendo formados professores nos cursos de nível superior de ciências biológicas pelo Brasil. Isso significa que o problema tem início de cima para baixo! Professores com lacunas em sua formação resultam em uma pobre atuação na rede básica. E quais seriam as lacunas na formação desses professores? O aspecto chave para a compreensão dessas lacunas trata-se da nossa estrutura (ou literalmente “grade”) curricular. Carecemos de uma abordagem integrativa na botânica, onde os conhecimentos sobre morfologia, fisiologia e evolução não sejam vistos como aspectos fragmentados e independentes. Agravando a situação, tais disciplinas são vistas em períodos distintos e muitas vezes com grande espaçamento de tempo entre si, o que dificulta para o próprio aluno associar e articular conceitos, em uma perspectiva ampla. Não o bastante, não dispomos de um currículo que favoreça o conhecimento da realidade da nossa própria biodiversidade e a compreensão do seu potencial. O que é uma enorme contradição, primeiro porque habitamos um dos países mais ricos em termos de flora do planeta e segundo, porque contamos com um valioso instrumento de apoio chamado “sabedoria popular”.

Quem nunca conheceu um cidadão ou cidadã, humilde, que não teve acesso a uma educação completa ou formação específica na área da botânica, mas que possui um vasto conhecimento sobre as potencialidades dos representantes do reino vegetal? Pessoa essa capaz de orientar a utilização de plantas como medicamentos e tantas outras utilidades e possibilidades que desconhecíamos e ainda explicar seus mecanismos de ação, descrever suas estruturas morfológicas e reconhecer tais espécimes em campo com a habilidade de um experiente taxonomista? Por que nos desvinculamos dessa sabedoria tradicional e por que não disponibilizamos para os estudantes, disciplinas ou abordagens que visem capacitar para o reconhecimento da flora local, próxima a realidade em que vivem, tornando-lhes cidadãos conscientes de sua realidade e consolidando dessa maneira uma aprendizagem significativa, conforme Ausubel (1982)?


Não tenho a pretensão de apresentar todas as repostas, como o ciclo de palestras o qual participei também não o fez (eu sei o quão isso é inquietante!). Todavia, é importante trazer a tona todas essas reflexões e nos pormos a pensar, nos reconhecermos como sujeitos participantes desse cenário e, tal como o trabalho de um formigueiro, mobilizarmos nossas pontuais contribuições desde já. Uma das respostas para esse problema, não apresentada, porém facilmente deduzível, é que nos falta muita atitude.

Precisamos de espaços onde professores possam discutir, planejar e por em prática estratégias diferentes e inovadoras no ensino, bem como ter o devido feedback dessas experiências. Precisamos nos dissociar de um termo que tive oportunidade de ouvir pela primeira vez durante esse ciclo de palestras: a “cegueira botânica”, cunhado por Wandersee & Schussler (2001) e que traduz bem como lidamos com o ensino de botânica no país. É necessário que nesses espaços possam ser mobilizadas ações que sejam levadas a representantes e órgãos superiores que possam modificar, ainda que toda mudança seja lenta, os currículos da biologia no país no que tange a botânica, visando a construção de um conhecimento integrado, crítico e próximo das realidades locais. O caminho é longo! Mas o primeiro passo, já é possível, se estivermos dispostos a despertar nossa própria consciência para os desafios que se fazem presentes no nosso contexto.

E você, possui alguma experiência sobre o ensino de botânica que gostaria de compartilhar? Deixe aqui nos comentários!

Referências:
AUSUBEL, D.P. 1982. A aprendizagem significativa: a teoria de David Ausubel. São Paulo: Moraes.
WANDERSEE, J.H.; SCHUSSLER, E.E. 2001. Towards a theory of plant blindness. Plant Science Bulletin, v. 47, n. 1.

Pteridófitas: Características gerais, reprodução, famílias

Ao contrário das briófitas, as pteridófitas formam o primeiro grupo de vegetais que apresentou um sistema de vasos condutores de nutrientes ao longo da evolução. 

Essa adaptação possibilitou que a água fosse distribuída de forma mais rápida pelo corpo dos vegetais e juntamente com toda estrutura de vasos condutores e células com capacidade de armazenarem substâncias que conferiam maior resistência, o surgimento de plantas de porte mais elevado que as briófitas foi possível.

Esse conjunto de caracteres para o novo grupo de espécies vegetais, possibilitou que as mesmas ocupassem uma gama maior de ambientes terrestres quando comparadas com as briófitas.


Os representantes mais conhecidos deste filo são as samambaias, avencas, xaxins e cavalinhas. São plantas utilizadas na ornamentação, mas também muito comuns em diversos biomas do país, estando presentes em áreas muito úmidas, geralmente associadas à matas densas próximas à cursos d'água e nascentes.


Elas só possuem folhas, raízes e caules, não possuem flores, sementes e nem frutos. As folhas são chamadas na verdade de fronde e em geral divididas em vários folíolos. O caule da maioria é do tipo rizoma (subterrâneo e com desenvolvimento horizontal), porém em algumas pteridófitas, como os xaxins, o caule é aéreo. A maioria das espécies desse grupo é terrestre, porém, vivem em locais preferencialmente muito úmidos e sobreados, como as briófitas.

REPRODUÇÃO DAS PTERIDÓFITAS
Como vimos na reprodução das briófitas, nessa imagem, podemos observar basicamente 3 fases de reprodução: (1) os espóros caem na água e germinam, originando uma pequena planta (n) que se chama (2) gametófito e possui dois órgãos produtores de gametas masculinos (anterígio) e femininos (arquegônio), que possibilitarão a fecundação dos gametas dos mesmos, originando o  (3) esporófito (2n), que produzirá espóros, e repetindo o ciclo. 

Nas reprodução das pteridófitas ocorre o mesmo processo, porém, após formar o esporófito, há fases e estruturas que são formadas.

Veja a figura abaixo para entender (clique para ampliar):


Note então que após a formação do esporófito, há a formação do rizoma, que é o caule subterrâneo de desenvolvimento horizontal, juntamente com as "folhas" chamadas de fronte, que é uma estrutura fotossintética repleta de soros. Os soros possuem diversos esporângios, estruturas que produzem milhares de espóros. Fácil não é?

Clique para ampliar

É possível observar claramente as simplesiomorfias (características primitivas compartilhadas por táxons que possuem um ancestral comum) ocorrendo entre as briófitas e pteridófitas (compartilhando um mesmo ancestral), um grupo mais novo evolutivamente falando. E podemos também observar as apomorfias (características mais novas/recentes no tempo evolutivo) das pteridófitas em relação às briófitas, como por exemplo o sistema de caule subterrâneo, a formação das frondes repletas de soros, o importante sistema de vascularização, o que permitiu a ocupação de vários ambientes terrestres. Dentre as divisões das pteridófitas, temos as principais: Psilotophyta, Sphenophyta, Pterophyta e Lycophyta.

LYCOPHYTA
Possuem cerca de 10 a 15 gêneros e aproximadamente 1.200 espécies. São herbáceas e apresentam raíz, caule e folhas "frondes" do tipo micrófila. Caule aéreo pode ser ramificado ou não e coberto por folhas micrófilas. Apresentam esporângios (produtores de espóros) reunidos em estróbilos, que são formados pelas micrófilas modificadas. São representadas por 3 famílias: Lycopodiaceae, Selaginellaceae e Isoetacae.

PSILOTOPHYTA
São as mais simples e primitivas dentre as pteridófitas. Não possuem raízes nem folhas, possuem um caule aéreo verde e fotossintetizante. Apresentam os esporângios reunidos em grupos de 2 ou 3.

PTEROPHYTA
São as mais abundantes entre as pteridófitas, representadas pelos xaxins e samambaias. Possuem mais de 11.000 espécies e grande diversidade de formas, habitos, estruturas morfógicas e cores. Podem ser herbáceas até arbustivas e arborescentes entre 1 ou 30 metros, ou mais, de altura. Possuem diversos sistemas radiculares, caule do tipo rizoma e variadas formas, porém não tem crescimento secundário dos seus tecidos. As folhas podem ser simples ou compostas com uma grande variação morfológica. Apresentam os soros (conjunto de esporângios) que variam muito quanto às suas cores, formas e tamanho, presentes em folhas ou ainda em modificadas que são utilizadas na taxonomia entre as famílias. A maioria é homosporada (produz apenas 1 tipo de espóro podendo ser bissexuados ou monosexuados). A divisão pterophyta representa ainda as espécies de pteridófitas aquáticas.

SPHENOPHYTA
São conhecidas como cavalinhas e possuem apenas uma família: equicetaceae. Possuem raízes adventícias e caule do tipo rizoma subterrâneo e podem ter também caule aéreo dividido entre nós, entre-nós e folhas, que são em forma de bainha. São homosporadas e os esporângios ficam reunidos em cavidades chamadas de esporangióforos e essas cavidades se localizam nos estróbilos, a parte reprodutiva das plantas. [Fontes: 1,2,3]

Glossário de Botânica - PDF


Estudando para a prova de Sistemática Vegetal, para tentar aprender tudo sobre os diversos nomes para as modificações e variações dos órgãos reprodutores e diversas outras estruturas dos vegetais, eu encontrei uma apostila muito bacana com vários nomes e seus significados, com o título Glossário de Botânica da Universidade Federal de Santa Maria do Laboratório de Sistemática Vegetal.

Este arquivo foi adaptado de: ANDREATA, H. P.; TRAVASSOS, O. P. Chaves para determinar as famílias de: pteridophyta gymnospermae angiospermae. Rio de Janeiro: Ed. Universitária Santa Úrsula, 1994. 134p.

Veja o PDF online abaixo:

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Apostila de Fisiologia Vegetal - PDF


Disponibilizo para download um material muito importante para acadêmicos de biologia e área afins, a apostila de Fisiologia Vegetal da Universidade Federal do Ceará. Esta apostila foi criada pelos professores Joaquim Enéas Filho, Maria Raquel Alcântara de Miranda e Joaquim Albenísio Gomes da Silveira.

Ela é dividida em 14 partes, conforme é mostrado logo abaixo. Você pode baixar a parque que quiser, ou então baixar todos essas partes em PDF num único arquivo clicando no link abaixo:

DOWNLOAD
(todas as partes - zip)
  1. APRESENTAÇÃO DA APOSTILA
  2. UNIDADE I - INTRODUÇÃO À FISIOLOGIA VEGETAL
  3. UNIDADE II - ESTRUTURA E FUNÇÃO DE CÉLULAS, TECIDOS E ÓRGÃOS
  4. UNIDADE III - RELAÇÕES HÍDRICAS DAS PLANTAS
  5. UNIDADE IV - NUTRIÇÃO MINERAL DE PLANTAS
  6. UNIDADE V - FOTOSSÍNTESE
  7. UNIDADE VI - TRANSLOCAÇÃO DE SOLUTOS PELO FLOEMA
  8. UNIDADE VII - RESPIRAÇÃO
  9. UNIDADE VIII - CRESCIMENTO, DIFERENCIAÇÃO E MORFOGÊNESE
  10. UNIDADE IX - REGULADORES DE CRESCIMENTO
  11. UNIDADE X - FOTOMORFOGÊNESE
  12. UNIDADE XI - REPRODUÇÃO EM PLANTAS SUPERIORES
  13. UNIDADE XII - FRUTIFICAÇÃO
  14. UNIDADE XIII - DORMÊNCIA E GERMINAÇÃO
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Ebook Como recuperar Mata Ciliar

Olá caros leitores, é com muito prazer que eu lanço o Ebook Como recuperar mata ciliar que estive preparando nos meses de fevereiro e março. Resolvi criar este material para ajudar aqueles que buscam formas simples e eficientes de recuperar áreas degradadas, principalmente matas ciliares de rios, córregos, lagos e corpos de água.

Tenho já uma certa experiência com recuperação de áreas degradadas pois desenvolvi durante dois anos um projeto de recuperação de uma área degradada utilizada em atividades agrícolas no município de Bandeirantes - MS. Já li muitos artigos e também tenho um curso de recuperação de matas ciliares que realizei pelo SENAR do Paraná.

O Ebook conta com um design simples e elegante, de fácil leitura com várias figuras para melhor entendimento. Veja abaixo algumas páginas:


O material foi cuidadosamente planejado de acordo com artigos científicos que definem os principais métodos para recuperação de uma área degradada, principalmente áreas ciliares.

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Planta de 30 mil anos pode ajudar cientistas em estudos do clima

Um feito inédito pode contribuir para futuros estudos do clima e da botânica. Uma planta de 30 mil anos foi ressuscitada por cientistas russos por meio do cultivo de suas células frutíferas e algumas sementes, que deram origem a novos brotos. A espécie pré-histórica data da última era do gelo da Sibéria e foram encontradas conservadas a 40 metros da superfície.

Com a novidade, evoluções nos estudos do clima e pesquisas sobre regeneração de espécies extintas podem ser postos em prática. A descoberta é uma verdadeira revolução que mexe com toda a natureza. E o mais incrível é que além de ter dado certo, as plantas desenvolveram belas flores férteis em sua segunda geração.

A natureza mostra mais uma vez o quanto pode ser incrível em suas próprias criações. Pense nisso.

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